Tal como já aconteceu com dezenas de milhares de haitianos e nicaraguenses, a administração norte-americana decidiu esta segunda-feira revogar os vistos de permanência de cerca de 200 mil cidadãos de El Salvador, radicados no país há coisa de 18 anos.

Os salvadorenhos em causa, que residem, trabalham e constituíram família nos Estados Unidos, estão no país ao abrigo de um estatuto de proteção temporária (TPS, na sigla em inglês). Agora, terão até setembro de 2019 para deixar o território ou serão deportados, caso não consigam até lá arranjar uma outra forma legal de permanência.

Os cerca de 200 mil salvadorenhos conseguiram chegar e permanecer nos Estados Unidos após os terramotos que afetaram o seu país em 2001.

De então para cá, segundo refere a página na internet da britânica BBC, instalaram-se preferencialmente em cidades como Los Angeles, Houston e Nova Iorque, sendo que a caducidade dos seus vistos de residência TPS poderá pôr também em causa o futuro de 270 mil crianças de pais salvadorenhos que já nasceram nos Estados Unidos.

"Transição ordenada"

Esta segunda-feira, o departamento norte-americano de Segurança Interna divulgou a nota da revogação do estatuto para os salvadorenhos, a partir de 9 de setembro de 2019, dando-lhes 18 meses para "permitir uma transição ordenada".

As condições originais provocadas pelos terramotos de 2001 já não existem. Assim, de acordo com o estatuto aplicável, a designação TPS deve ser encerrada", referem os serviços norte-americanos de Segurança Interna.

De acordo com o Centro de Estudos sobre Migrações, citado pela BBC, os cerca de 200 mil salvadorenhos que vivem nos Estados Unidos ao abrigo do estatuto de proteção temporária TPS representam 135 mil agregados familiares, sendo que um quarto deles são mesmo proprietários das suas casas.

As estatísticas revelam que 88% desses salvadorenhos trabalham, 10% por conta própria e que há ainda 10% casados com cidadãos norte-americanos.

Curiosamente, a revogação dos seus vistos e a ameaça de expulsão dos Estados Unidos surge no dia em que o presidente Donald Trump usou a sua conta na rede Twitter para apregoar resultados positivos sobre o emprego, na população afro-americana e hispânica.

O desemprego afro-americano é o mais baixo já registado no nosso país. A taxa de desemprego hispânica caiu um ponto percentual no último ano e está próxima da mais baixa da história. Os democratas não fizeram nada por vós a não ser conquistar-vos o voto!", escreveu Trump.