Não ficou de trombas, como se pode dizer em português brejeiro, mas continuou a comportar-se como um elefante numa loja de porcelanas. Escolhido como candidato republicano na convenção que termina esta quinta-feira à noite na cidade de Cleveland, no estado do Ohio, Donald Trump também não poupou o derrotado adversário Ted Cruz.

No final da sessão de quarta-feira do partido cujo símbolo é o elefante, o senador do Texas limitou-se a felicitar o milionário pela nomeação sem, contudo, o apoiar. Foi vaiado pelas centenas de delegados presentes e acusado por Trump de quebrar a promessa de o apoiar.

Uau, Ted Cruz foi vaiado no palco, não honrou o seu compromisso. Eu vi o seu discurso duas horas antes mas deixei-o falar na mesma. Nada de mais”, escreveu Trump na sua conta de Twitter.

 

À parte do serrabulho criado no recinto da convenção, o senador do Texas viu ainda a sua mulher, Heidi, ter de ser escoltada para abandonar o local.

A tarefa coube a Ken Cuccinelli, antigo procurador-geral no Estado da Virgínia, apoiante de Ted Cruz. Segundo o próprio contou à agência Reuters, levou a senhora Heidi dali por causa da sua segurança.

Equipa começa a ser escolhida

Desaguisados à parte, Trump teve uma noite de glória à sua maneira na Convenção do Partido Republicano, após ser designado candidato oficial à presidência dos Estados Unidos da América.

Obteve o apoio expresso do candidato derrotado Marc Rubio, senador da Florida de origem cubana, e viu ser aceite pelo senador do Indiana, Mike Pence, o convite para ser seu vice-presidente, caso vença as eleições de 8 de novembro.

Donald Trump vai assim continuando a fazer a sua equipa. A agência de informação Reuters dá conta que o secretário responsável pela energia será Harold Hamm, um milionário do gás e petróleo do Estado de Oklahoma.

Que ricos filhos…

Quarta-feira à noite, a Convenção ficou marcada pelo discurso de mais um filho de Trump, no caso, Eric, que fez notar ter escrito “todas as palavras” que proferiu.

A salvaguarda serviu para evitar mais polémicas, após ter sido descoberto que os discursos feitos na Convenção pelo filho Donald Jr. e pela atual senhora Trump, Melania, não eram propriamente originais.

No de Donald Jr. havia passagens de um artigo publicado numa revista e no da mulher, Melania, as semelhanças com um discurso feito em 2008 pela atual primeira-dama Michelle Obama não eram propriamente fruto do acaso.

A autora do discurso até pediu a demissão, mas o candidato Trump não a aceitou. Preferiu até atacar a imprensa por dar atenção ao assunto.

 

 

Feliz da vida esteve Trump com a prestação da família, fazendo questão de o sublinhar na sua conta oficial de Twitter, logo após o primeiro dia de Convenção.

Parabéns aos meus filhos, Don e Tiffany, por terem feito um fantástico trabalho na noite passada. Estou muito orgulhosos de vocês”.

 

Na noite seguinte, coube a vez a Eric Trump, que deverá continuar em Nova Iorque, à frente dos negócios imobiliários do império Trump, mesmo que o pai venha a ocupar a Casa Branca, em Washington.

Mas se ele me chamar, estarei lá em dois minutos”, terá afirmado Eric à imprensa, antes de se dirigir aos congressistas da convenção republicana, onde apelou ao voto no pai: um candidato com “senso comum”, que conhece a “arte de negociar” e “o valor do dólar” e sempre assinou “a frente dos cheques e não o verso”.

 

 

Sem cheques em branco na política externa

Sem lugar para almoços grátis, Trump voltou a surpreender com uma entrevista ao The New York Times, que deverá marcar o último dia de Convenção Republicana.

Sobre os 28 países membros da NATO, o candidato defende que para beneficiarem de segurança terão de “preencher as suas obrigações para connosco”.

Sejam os países do Báltico, sejam os recentes acontecimentos na Turquia – com Trump a louvar o presidente Erdogan “por ter conseguido dar a volta à situação” – nada justifica para o candidato republicano que os Estados Unidos gastem “uma fortuna com o aparelho militar de 800 mil milhões de dólares”.

"Vamos cuidar deste país primeiro, antes de nos preocuparmos com quem quer que seja no mundo”, sublinhou Trump na entrevista.

Ainda assim, o complexo militar-industrial norte-americano é respeitado pelo candidato Trump, que admite gastar dinheiro na modernização do arsenal nuclear.

Temos imensas armas obsoletas. Temos armas nucleares que nem sabemos se funcionam”, sublinhou Trump na entrevista ao The New York Times.