De tão inimigos que podiam parecer, Donald Trump e Vladimir Putin acabaram por prolongar a conversa a sós na primeira cimeira entre ambos, em Helsínquia, esta segunda-feira, marcada pela oferta de uma bola de futebol do Mundial terminado na Rússia, ao atual inquilino da Casa Branca.

Em conferência de imprensa conjunta na capital finlandesa, Trump e Putin evitaram as questões mais fraturantes entre as duas superpotências, como a ocupação russa da Crimeia ou o conflito na Síria, preferindo usar alguns dos politicamente corretos chavões diplomáticos usuais nas conversas entre Moscovo e  Washington.

Discutimos uma ampla gama de questões críticas para os nossos países. Tivemos um diálogo produtivo. Correu muito bem", foram palavras de Donald Trump, que fez questão de "dar os parabéns ao presidente russo Putin por um dos melhores Mundiais de futebol de sempre".

Defendendo que "diplomacia e entendimento são preferíveis a conflitos e hostilidade", Trump vincou mesmo que "o nosso relacionamento nunca foi pior do que até agora, no entanto, isso mudou há cerca de quatro horas atrás".

Como noutras cimeiras entre líderes das superpotências, Trump referiu ainda terem falado sobre a proliferação nuclear, a crise na Síria - onde disse que "a cooperação entre os nossos países tem o potencial de salvar centenas de milhares de vidas" - e "o flagelo do terrorismo islâmico radical que a Rússia e os Estados Unidos sofreram": "Vamos manter a comunicação aberta entre os nossos serviços de segurança para combater essa ameaça global".

Além das promessas da continuação das conversas com Putin, no futuro, Trump assumiu ter abordado diretamente a questão da "interferência russa nas nossas eleições".

"Sim, quis!"

Sobre a alegada ingerência russa nas presidenciais norte-americanas, Vladimir Putin, segundo Donald Trump, ofereceu mesmo a ajuda russa para as investigações em curso nos Estados Unidos. Reiterou não ter havido qualquer interferência do Kremlin na eleição do atual líder norte-americano, mas reconheceu que era o seu preferido.

Sim, quis!", foi a resposta determinada de Putin, quando perguntado sobre se preferiu Trump a Hillary Clinton, após o seu interlocutor ter assumido que a investigação em curso sobre o assunto "é um desastre", que tem "mantido afastados” os Estados Unidos e a Rússia.

Putin assegurou, contudo, sobre a questão das presidenciais de 2016, que teve "de repetir o que disse antes: o Estado russo nunca interferiu e não tem nenhuma intenção de interferir".

Considerando a ocupação da Crimeia como uma questão encerrada para a Rússia, Putin ainda expressou o desejo de que "os Estados Unidos poderiam convencer a liderança ucraniana a cumprir os acordos de Minsk", assinados em 2014 e destinados a pôr fim à guerra no leste da Ucrânia.

É óbvio para todos que as relações internacionais viveram um período difícil. A Guerra Fria terminou há muito tempo, a situação no mundo mudou drasticamente e a Rússia e os Estados Unidos estão enfrentando agora desafios totalmente diferentes", afirmou ainda Putin.

Trump "fraco"

Em reação ao encontro como presidente russo, o senador republicano norte-americano Lindsey Graham foi um dos primeiros a criticar o desempenho do presidente Trump, por ter enviado a Moscovo uma mensagem de "fraqueza".

Além de considerar que a cimeira foi uma "oportunidade perdida pelo presidente Trump para firmemente responsabilizar a Rússia pelas interferências em 2016, o senador da Carolina do Sul acrescentou até que, se fosse ele, verificaria "a bola de futebol por causa das escutas e nunca a levaria para a Casa Branca".