Um livro “cheio de mentiras, falsas declarações e com fontes que nem existem”. Um livro falso e difamatório, que deixou Donald Trump “furioso e enojado”. São estas algumas das muitas reações à nova obra de Michael Wolff, Fire and Fury: Inside the Trump White House, que assegura que todas as informações que revela são verdadeiras. 

Michael Wolff é um escritor e jornalista americano, colunista em publicações como The Guardian, New York Magazine e Hollywood Report. Conta ainda com cinco livros publicados. Mas é o mais recente que promete muita conversa, uma vez que ainda agora foi lançado e já está a dar muito que falar.

O livro foi publicado nesta sexta-feira, quatro dias antes da data prevista. Quem não ficou agradado com o que leu foi Donald Trump

“Eu não autorizei o acesso à Casa Branca (aliás, recusei-lhe muitas vezes os pedidos) ao autor do livro falso! Nunca falei com ele para o livro. Cheio de mentiras, falsas declarações e fontes que nem existem”, escreveu o presidente dos Estados Unidos da América no Twitter.

 

 

Enquanto o presidente assegura que nunca falou com Michael Wolff, nem tão pouco lhe deu as informações que divulga no livro, o autor garante que tudo o que conta é verdadeiro. Numa entrevista dada esta manhã no programa Today, Wolff afirma que só entrou na Casa Branca porque teve autorização para o fazer e "sem dúvida" que falou com o presidente. Acrescentou ainda que Trump se comporta como uma criança, querendo tudo à sua maneira.

"Como é trabalhar com Donald Trump, como é que se consegue trabalhar com Donald Trump e como é que se sente por se ter de trabalhar com Donald Trump", explicou Wolff, referindo-se ao que procurava saber quando começou a escrever o livro. 

A decisão de lançar mais cedo o livro surgiu como forma de provocação aos advogados de Trump, que tentaram impedir Wolff de tornar Fire and Fury público. Muitas pessoas tiveram curiosidade em conhecer a razão para toda a indignação do presidente dos Estados Unidos da América. A multidão encheu o café Kramerbooks & Afterwords, em Washington DC, assim que as portas abriram à meia noite. 

 

 

Para além das acusações de que ele e a sua família foram alvo, Trump não gostou especialmente do papel que o antigo chefe de estratégia teve no livro. Steve Bannon foi despedido, como muitos outros que tiveram uma passagem, de maior ou menor duração, pela Casa Branca.

Wolff cita Bannon, que afirma que o filho mais velho de Trump, Donald Trump Jr, reuniu com um grupo de russos, em 2016 na Trump Tower, com o conhecimento do pai. Esta reunião teve o propósito de formar uma aliança para vencer as eleições presidenciais americanas, onde foi revelada informação secreta e incriminatória da adversária Hillary Clinton.

A suposta traição daquele que foi, em tempos, seu aliado não passou despercebida a Trump, que ficou furioso e sugeriu que esta vingança de Bannon poderia dever-se à sua demência.

“Steve Bannon não tem nada a ver comigo ou com a minha presidência. Quando ele foi despedido, não só perdeu o trabalho, como perdeu a cabeça”, declarou, citado pelo The Guardian.

Contudo, e apesar das duras críticas que teceu ao antigo patrão, Bannon afirmou que o continua a apoiar. Num programa de rádio, na passada quarta-feira, o homem que desenhou a campanha vitoriosa do atual presidente dos Estados Unidos continua a apelidá-lo de um “grande homem”.

Para além de ter lançado esta enorme bomba, Bannon desvendou ainda mais algumas informações, que até agora permaneciam em segredo.

Para além de afirmar que nenhum membro da equipa de Donald Trump, incluindo o próprio, esperava a vitória, conta como lágrimas de tristeza escorriam pela cara de Melania, durante a noite das eleições.

Quando chegou pela primeira vez à Casa Branca, Trump terá ficado desiludido com aquilo que considerou ser um lugar aborrecido e até um pouco assustador.

Mas outra notícia, de que provavelmente poucos estavam à espera, foi a de que Ivanka Trump, filha do presidente, tem intenção de ser a primeira mulher a governar os Estados Unidos da América, acreditando seriamente nas suas hipóteses de vencer.

O lado da família Trump foi rápido a contra-atacar.

Um porta-voz de Melania desmentiu por completo as acusações de que não teria ficado feliz pela vitória do marido. Por sua vez, Sarah Sanders, secretária de imprensa da Casa Branca, caracterizou o livro como “fraca ficção de tabloides, repleto de informações falsas”.

Os advogados da Casa Branca, numa nota legal publicada no Washington Post, deram ordem à editora para cessar de imediato as vendas do livro, com a certeza de que o que foi dito não tem qualquer fundamento e quebra o acordo de sigilo.

Para escrever o livro, Michael Wolff baseou-se em mais de 200 entrevistas realizadas, incluindo as conversas com o presidente e restante pessoal. Até agora, já mais de 250 mil cópias do Fire and Fury já foram encomendadas, sendo atualmente o número um dos livros mais vendidos da lista da Amazon.

Os ânimos já estão bastante exaltados, mas com certeza que nenhum dos lados vai ficar por aqui.

“Aqui está. Podem comprá-lo (e lê-lo) amanhã. Obrigado, Sr. Presidente”, escreveu Wolff no Twitter.