Dois murais com o presidente norte-americano Trump em ponto grande surgiram esta sexta-feira na barreira que separa Israel da Cisjordânia, a poucos metros do local onde o artista britânico Banksy decorou uma residencial com pinturas suas.

Os novos desenhos, que apresentam semelhanças com obras mais antigas de Banksy, surgiram em Belém, cidade palestiniana onde se ergue a muralha, construída por Israel.

Uma das cenas apresenta Donald Trump a abraçar e a beijar uma verdadeira torre de vigia do exército israelita, embutida na parede, enquanto o braço esquerdo contorna a torre. Pequenos corações cor-de-rosa flutuam a partir da boca de Trump.

Noutro desenho, o presidente norte-americano é representado usando um quipá, a boina judaica, e pousando a mão numa parede. No fundo, uma cena retirada da visita de Donald Trump, em maio, ao Muro das Lamentações em Jerusalém, um dos locais sagrados do Judaísmo.

Vou construir-te um irmão", é o que se pode ler num balão de pensamento de banda desenhada, numa referência aos planos de Trump para erigir um muro entre os Estados Unidos e o México.

Residencial com a "pior vista do mundo"

Atá ao momento, é ainda incerto se os novos murais são, de facto, obra de Banksy, mas o novo ‘graffiti’ está a poucos metros do Walled Off Hotel, uma casa de hóspedes dirigida por palestinianos, que abriu no início deste ano e que é descrita, de forma sarcástica, como tendo a "pior vista do mundo".

O hotel de nove quartos foi decorado com os murais políticos de Banksy, incluindo um pintado no chamado “quarto de Banksy”, que ilustra um palestiniano e um israelita numa luta de almofadas.

Banksy fez anteriores incursões nos territórios palestinianos. Numa visita secreta, pintou uma menina a ser puxada para cima por balões, na barreira junto à qual se encontra agora o seu projeto atual.

No ano passado, acredita-se que terá entrado furtivamente em Gaza para pintar quatro murais de rua, um dos quais numa porta de metal, que retrata a deusa grega Niobe encolhida junto aos escombros de uma casa destruída.

A pintura, intitulada "Danos de uma bomba", foi desenhada na parte restante de uma casa de dois andares, que foi destruída na guerra de 2014.

Os trabalhos satíricos do artista - ratos, polícias a beijarem-se, polícias de choque com caras de 'smileys' amarelos - apareceram inicialmente em paredes de Bristol, antes de se espalharem por Londres e depois pelo resto do mundo.

As obras de arte de Bansky refletem temas como a guerra, a pobreza infantil e o meio ambiente.