O ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Norte decidiu pegar na estratégia de Donald Trump e usou a sua visita à Assembleia Geral das Nações Unidas para deixar um recado ao presidente dos EUA.

Respondendo à ameaça de Trump de "destruir totalmente a Coreia do Norte", Ri Yong Hu começou por dizer que sentia "pena" dos conselheiros do presidente norte-americano porque este parecia "um cão a ladrar" quando discursou. Esta é a primeira vez que Pyongyan se manifesta sobre o assunto.

Se ele pensa que nos pode assustar com o som de um cão a ladrar isso é, realmente, um sonho de cão", afirmou Ri Yong Hu aos jornalistas à porta do hotel em Nova Iorque, acrescentando que "há um ditado que diz: os cães ladram e a caravana passa".

Em coreano, sonho de cão significa que algo é absurdo e não tem sentido.

O debate geral anual da 72.ª Assembleia-Geral da ONU começou na quarta-feira na sede da organização, em Nova Iorque, com o discurso do presidente brasileiro, Michel Temer, cumprindo a tradição que reserva ao chefe de Estado do Brasil honras de abertura dos discursos no órgão multilateral.

No seu discurso, e apesar de António Guterres ter apelado à diplomacia na resolução do conflito com a Coreia do Norte, Donald Trump optou pela agressividade.

Os Estados Unidos têm uma grande força e paciência, mas se forem forçados a defenderem-se ou a defenderem os seus aliados, não terão outra escolha a não ser destruir totalmente a Coreia do Norte. Nunca ninguém mostrou maior desprezo pelas outras nações e pelo bem-estar do seu próprio povo do que o regime depravado da Coreia do Norte", afirmou o presidente dos Estados Unidos, na sua intervenção na 72.ª Assembleia-Geral das Nações Unidas.

O embaixador de Pyongyang, Ja Song Nam, optou por sair da sala quando Trump subiu a palco para não ter de ouvir o discurso do inimigo norte-americano.