Uma fuga de informação gigante com milhões de documentos confidenciais mostra como chefes de Estado, criminosos e celebridades usam paraísos fiscais para esconderem dinheiro e património.

A revelação está a ser feita pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação, a que a TVI pertence e que junta muitos outros órgãos de comunicação social em todo o mundo.

A fuga de documentação da empresa de advogados Mossack Fonseca, no Panamá, revelou nomes de várias pessoas de destaque mundial com dinheiro depositado naquele paraíso fiscal, fugindo aos impostos no seu país.

Onze milhões de documentos de uma das empresas mais secretas do mundo, foram divulgados, e revelam como a Mossack Fonseca tem ajudado os seus clientes na lavagem de dinheiro, em contornar sanções e na evasão fiscal.

Os documentos fazem ligações a 72 chefes de Estado, atuais e antigos, incluindo ditadores acusados de saquear os seus próprios países.

"Tais descobertas mostram como as práticas danosas e criminosas estão profundamente enraizadas no mundo offshore", diz o economista Gabriel Zucman.

11,5 milhões de ficheiros

Lê-se no documento que, o conjunto de 11,5 milhões de ficheiros mostra como uma indústria global de sociedades de advogados, empresas fiduciárias e grandes bancos vendem o segredo financeiro a políticos, burlões e traficantes de droga, bem como a multimilionários, celebridades e estrelas do desporto.

Os dados já divulgados expõem companhias offshore ligadas a doze antigos e atuais líderes mundiais, entre os quais o presidente russo Vladimir Putin, o presidente sírio Bashar Al-Assad e os ex-presidentes Kadhafi e Hosni Mubarak.

Os Papéis do Panamá, como são denominados, são 11,5 milhões de ficheiros que envolvem advogados, banqueiros, políticos e até figuras ligadas ao futebol, como Lionel Messi. Correm um período de quase 40 anos, de 1977 a finais do ano passado.

Os ficheiros revelam a existência de empresas offshore controladas pelos primeiros-ministros da Islândia e do Paquistão, o Rei da Arábia Saudita e os filhos do presidente do Azerbeijão.

Os documentos revelam também que há grandes bancos por detrás da criação de companhias fantasma difíceis de detetar nas Ilhas Virgens britânicas, no Panamá e outros paraísos fiscais. Dos ficheiros constam mais de 15.600 empresas fictícias que os bancos criaram para clientes que querem manter escondido o seu dinheiro e património, incluindo algumas criadas pelo UBS e HSBC.

"Eu acho que esta fuga de documentos pode vir a ser um dos maiores golpes mundiais devido à extensão dos documentos”, disse Gerard Ryle, diretor do ICIJ.

A TVI é a única televisão em Portugal com acesso a estes ficheiros e, em breve, revelará as ligações nacionais a este escândalo à escala mundial.