Os Estados Unidos divulgaram uma série de documentos encontrados na casa onde Bin Laden estava refugiado e acabou por ser morto, no Paquistão, em 2011. São 266 documentos, incluindo cartas pessoais e material bibliográfico, onde estão textos de várias figuras ligadas ao Islão e até ensaios de reputados escritores e filósofos ocidentais. Bin Laden também tinha material pornográfico em casa, mas este, pelo contrário, vai permanecer confidencial.
 

A casa onde Bin Laden estava refugiado no Paquistão
A casa onde Bin Laden estava refugiado no Paquistão

Na operação que levou à morte do antigo líder da Al-Qaeda, em Abbottabad, as forças norte-americanas recolheram uma série de ficheiros e documentos, que permaneceram confidenciais até agora. Segundo o porta-voz de James Clapper, o Diretor dos Serviços Secretos, a divulgação acontece depois de a CIA ter analisado “de forma rigorosa” os documentos.
 
O material tornado público esta quarta-feira inclui muitos documentos pessoais, como algumas cartas entre o talibã e a família. O que Washington já assegurou que não vai divulgar é o material pornográfico que estava nos computadores recolhidos. Não se sabe se estes vídeos eram de Bin Laden ou dos seguidores com quem vivia, juntamente com três das quatro mulheres, no complexo paquistanês.
 

“Devido à natureza do conteúdo, a decisão foi não divulgá-lo”, disse Brian Hale, porta-voz dos Serviços Secretos ao jornal “The Telegraph”.

 
Esta divulgação acontece depois da polémica investigação do conceituado jornalista Seymour Hersh, que acusou Obama de ter mentido sobre a morte de Bin Laden. De acordo com o jornalista vencedor de um Pulitzer, as autoridades paquistanesas sabiam da operação que matou Bin Laden, e este estava preso pelo governo paquistanês. Os Estados Unidos negaram, no entanto, que esta medida tenha sido uma resposta às acusações de Hersh.
 

O que revelam os documentos?

 
Uma das revelações que poderá ser mais surpreendente é o facto de Bin Laden ter dito em cartas trocadas com os talibãs no norte de África que estes deviam parar de “insistir na formação de um Estado Islâmico” e, em vez disso, preocuparem-se em matar mais americanos, atacando as embaixadas dos EUA na Serra Leoa, no Togo e ainda as petrolíferas norte-americanas. O mesmo conselho foi dado às milícias no Iémen: a prioridade era matar americanos.
 
Muitos ficheiros demonstram ainda a preocupação de Bin Laden com a segurança dos seguidores e das operações talibãs. Na correspondência trocada com os membros das suas tropas, o líder da Al-Qaeda diz-lhes para não trocarem emails e para não se juntarem a grupos grandes, na rua, a fim de evitarem ser alvo de ataques aéreos.
 
Bin Laden também aconselha os seus seguidores a destruírem os cartões de memória dos telemóveis, a andarem com medicamentos consigo para não terem de ir frequentemente ao médico e a aprenderem Urdu.


 
A sua biblioteca inclui autores norte-americanos como Bob Woodward e Noam Chomsky, conhecidos por criticarem as políticas dos EUA, nomeadamente ao nível militar e na sua abordagem para com o Médio Oriente.
 
Mas Bin Laden tinha um outro lado que muitos desconhecem. Nas cartas pessoais, o antigo líder da Al-Qaeda demonstra o seu lado mais fraterno: um chefe de família devoto e um pai dedicado aos seus 20 filhos. Noutras, são os próprios filhos que expressam a sua admiração pelo pai.
 
A título de exemplo, numa das cartas, o filho Hamza diz-lhe o quanto sofre pela longa separação e o quanto gostaria de estar com o pai. 

“Os meus olhos ainda se recordam da última vez que te vi, quando estavas debaixo daquela oliveira e nos deste aqueles rosários muçulmanos.”