Há um tipo de papel capaz de durar 800 anos que é fabricado artesanalmente no Vietname, na varanda de uma casa particular em Suoi Co, uma vila a cerca de 45 quilómetros da capital Hanoi.

Chama-se , a mão-de-obra é da população local dessa vila que mergulha os dedos na água escura de um balde em busca de fios de fibra branca, enquanto que em tanques de metal se encontra casca de árvore submersa em água, precisamente para separar essas fibras. É assim que vão avaliando a qualidade e consistência da polpa de fibras mole que se cria, para que a possam pressionar e transformar num papel artesanal e livre de químicos que dura mais de 800 anos.

O projeto está a cargo de Tran Hong Nhung, uma jovem empreendedora de Hanoi que, em junho de 2013, fundou o Zó Project, com o objetivo de modernizar a produção deste bem.

De acordo com a BBC News, no século XIII, este tipo de papel era utilizado como tela na produção das mais variadas obras de arte. Contudo, com a industrialização, a produção manufatureira caiu em desuso. Agora, ao serem produzidos cadernos, cartões, calendários e outros produtos, o fabrico de papel Dó ajuda no sustento da população daquela vila e ainda preserva uma tradição antiga.

Mais concretamente, o papel centenário é feito a partir da casca de uma árvore rica em celulose que se pode encontrar no norte do Vietname e na província chinesa de Yunnan.

É necessária muita água, muito espaço e muito tempo. São precisas 24 horas para marinar a casca de árvore em água com sumo de lima para separar as fibras, processo que antigamente demorava cerca de três meses. Depois de separadas, a polpa é batida e disposta até se apresentar como uma camada plana e lisa.

Daqui resulta um papel suave, rústico, onde a tinta não deixa manchas, que é altamente resistente à humidade, que não tem químicos na sua composição e que dura séculos.

Quando Nhung deu início ao projeto, em Duong O, a vila onde a arte do fabrico de tinha começado, restavam apenas três famílias capazes de o fazer e que, mesmo assim, devido à rápida urbanização do local, estavam dispostas a encontrar outras ocupações. A jovem empreendedora conseguiu, ainda assim, convencer a população de que era importante manter a tradição e ensinar as gerações mais jovens a trabalhar arduamente.

Nhung uniu-se ao projeto da fundação japonesa JICA, que visava o desenvolvimento da vila de Suoi Co que, por sua vez, tinha as condições necessárias para a produção do papel - água e espaço em abundância e a necessidade de empregos por parte da população.

Nhung tem viajado para diversos países como o Japão, Laos e Malásia para promover o desenvolvimento da técnica da produção de papel. Atualmente, o papel é exportado para diversos locais no mundo às mãos de Nhung e dos seus artesãos.