Com milhares de homens a morrer nas linhas da frente do conflito, a guerra civil na Síria tem feito aumentar a poligamia no país.

Maha é um dos rostos do fenómeno. Depois do marido ter sido morto na guerra, a mulher de 32 anos, mãe de duas crianças, tomou a decisão que lhe pareceu mais natural: tornar-se uma segunda esposa.

Eu estava sozinha com os meus filhos e foi muito difícil”, explicou à agência France Press. “O meu primo sugeriu que eu casasse com ele e vivesse com a mulher e os filhos. Foi uma decisão difícil porque eu era amiga dela”.

O conflito começou em 2011 e parece não ter fim à vista. Com milhares de homens sírios a morrer, a ser forçados ao exílio e a desaparecer, as taxas de divórcio de poligamia dispararam.

Os números oficiais são conta de que, em 2015, em Damasco, as relações poligâmicas eram 30% das uniões, contra apenas 5% em 2010.

Com um saldo de 290 mil mortes desde o início da guerra e milhões de sírios a fugir para os países vizinhos, “há mais mulheres do que homens” no país, segundo Maha. Por isso, os próprios tribunais têm ignorado as restrições impostas aos casamentos poligâmicos.

Nalguns casos, a guerra civil na Síria potenciou os divórcios, pelo facto de, por vezes, apenas um elemento do casal deixar o país.

Segundo as autoridades, foram registados 7.000 divórcios em 2015, um aumento de 25% em relação a 2010.

A lei síria permite que uma mulher se divorcie se conseguir provar que o marido esteve ausente por um período mínimo de um ano. Contudo, Fawziyeh, de 43 anos, esperou três para dar início ao processo.

O marido, que partiu como refugiado para a Suécia com o objetivo de tratar de tudo para receber o resto da família, desapareceu sem deixar rasto.

Depois de aguardar três anos a viver com os três filhos em casa dos pais, Fawziyeh desistiu.

Eu divorciei-me dele. A espera foi difícil e agora estou livre para casar com quem quiser”, contou.