A Albânia vai apresentar em breve um vasto "pacote de reformas", principalmente a nível económico, tendo em vista o processo de adesão à União Europeia, anunciou esta segunda-feira em Lisboa o ministro albanês dos Negócios Estrangeiros.

A Albânia, que tem o estatuto de país candidato à UE desde junho de 2014, está "prestes a introduzir um vasto pacote de reformas" que espera que lhe permita alcançar as negociações de adesão, disse esta segunda-feira o chefe da diplomacia albanesa, Ditmir Bushati, após uma reunião com o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, no Palácio das Necessidades, em Lisboa.

De acordo com a Lusa, o ministro albanês expressou a "firme crença" de que o processo de adesão da Albânia e de outros países dos Balcãs Ocidentais "está muito associado à transição democrática de regimes comunistas para sociedades pluralistas".

"Esperamos que este processo coincida com o processo de [a Albânia] se tornar um Estado-membro", declarou Ditmir Bushati.

O governante albanês adiantou que as reformas desenvolvidas no seu país estão "centradas em melhorar os aspetos económicos ligados ao Estado de direito, permitindo um crescimento consolidado, melhor ambiente empresarial e um ambiente mais seguro e atrativo para investimentos".

O chefe da diplomacia albanesa transmitiu a sua "grande apreciação pelo firme apoio" que Portugal tem prestado quanto à "aspiração da Albânia de aderir à UE" e também "como um amigo dos Balcãs Ocidentais e da Europa do sul no seu caminho em direção à UE".

No âmbito do processo de adesão da Albânia, a UE definiu como prioritárias a reforma da administração pública e do sistema judicial, a luta contra o crime organizado e a corrupção.

Durante a reunião de trabalho, os dois governantes concordaram na necessidade de Lisboa e Tirana aprofundarem as relações bilaterais, nomeadamente a nível económico, identificando o turismo como área preferencial, disse Augusto Santos Silva, que adiantou que a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e a sua congénere albanesa já assinaram um memorando de entendimento.

O ministro português destacou que os dois países têm "relações excelentes no plano político".

"Partilhamos com a Albânia o interesse na estabilidade da região dos Balcãs Ocidentais. Portugal tem participado ativamente, no quadro da União Europeia e sobretudo no quadro da NATO, nas iniciativas de paz e de promoção de segurança nos Balcãs Ocidentais. Em particular, temos tido uma presença muito importante no Kosovo", referiu Santos Silva.

Outro tema abordado pelos dois governantes foi a crise dos refugiados.

Apesar de a Albânia não ter sido, "até ao momento, afetada pela crise", está a "coordenar todos os esforços para ajudar a responder ao problema e também para fenómenos negativos", como os que se têm registado em Itália e na Grécia, afirmou o ministro albanês.

Depois da Grécia em 1981, a Eslovénia em 2004, a Roménia e a Bulgária em 2007 e a Croácia em 2013, restam seis países dos Balcãs que ainda não aderiram à UE: Macedónia, Montenegro, Sérvia, Albânia, Bósnia-Herzegovina e Kosovo.