O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Rui Machete, disse esta terça-feira que o discurso do Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na sessão de abertura da 68ª Assembleia-geral da ONU foi «de uma franqueza notável».

«Barack Obama não passou apenas em revista os problemas atuais que preocupam o mundo e requerem a intervenção dos EUA e também da UE. Teve também a oportunidade de definir objetivos dessa política com uma franqueza notável», disse Rui Machete à agência Lusa.

No discurso, Barack Obama afirmou que é preciso «testar o caminho diplomático» com o Irão sobre a questão nuclear, sublinhando que as diferenças entre Washington e Teerão não serão resolvidos «de um dia para o outro».

O Presidente dos Estados Unidos pediu ainda uma resolução «firme» do Conselho de Segurança da ONU sobre a eliminação de armas químicas na Síria com «consequências» para o regime de Bashar al-Assad caso este falhe os compromissos assumidos.

Para Rui Machete, o discurso de Obama «deu uma imagem de esperança e foi uma intervenção muito importante».

«Espera-se um contributo seu muito significativo para a construção de uma situação mais estável e pacífica para no mundo. Agora esperamos também que a realidade e a ação dos outros países permita confirmá-lo», sublinhou.

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, também usou do púlpito neste primeiro dia de trabalhos.

Dilma Rousseff cancelou recentemente uma visita de Estado aos EUA, quando foi noticiado que a Agência de Segurança Nacional (NSA) norte-americana intercetou comunicações de cidadãos brasileiros, da Presidência e da empresa Petrobras.

No seu discurso, a presidente brasileira caracterizou como «inaceitável» o programa de vigilância eletrónica, afirmando que as escutas de que ela e os seus assessores foram alvo representam «uma grave violação dos direitos humanos».

Rui Machete prefere sublinhar, no entanto, uma segunda parte do discurso de Dilma Rousseff, em que a Presidente brasileira «fez uma análise dos problemas do desenvolvimento do mundo e o contributo que o Brasil pode dar nesse aspeto».

«Nesse sentido, foi também um discurso de esperança, em que reafirmou o papel do Brasil na América do Sul», disse o ministro português, que está em Nova Iorque desde segunda-feira para representar Portugal na assembleia-geral da ONU.

Na manha de terça-feira, Rui Machete participou na sessão de abertura da Assembleia-geral e manteve encontros bilaterais com os ministros dos negócios estrangeiros do Uruguai, Argélia e com o secretário-geral da Liga Árabe.

Da parte da tarde, participou numa reunião com ministros dos negócios estrangeiros da União Europeia e encontrou-se com os ministros do Senegal e da Turquia.

No final do dia, depositou em nome de Portugal a carta de ratificação do 3.º Protocolo Facultativo à Convenção Sobre os Direitos da Criança.

Rui Machete discursa na 68ª Assembleia-geral da ONU no dia 28 de setembro, recorda a Lusa.