Uma prisioneira na Coreia do Norte foi forçada a matar o próprio filho, denunciou uma ex-reclusa perante uma comissão de inquérito das Nações Unidas.

Jee Heon-a, de 34 anos, contou que um guarda ordenou a mulher a afogar o seu filho recém-nascido.

«Era a primeira vez que via um bebé e estava feliz. Mas, de repente, ouviram-se passos e surgiu um guarda que ordenou à mãe para colocar o filho de cabeça para baixo dentro de um balde de água», descreveu à comissão liderada por um antigo juiz australiano, contando ainda que a mulher «suplicou ao guarda para poupá-la», mas que «ele continuava a bater nela».

Jee-Heon-a foi um dos vários antigos prisioneiros ouvidos na comissão de inquérito, que se realizou em Seoul. Muitas das testemunhas escaparam da prisão e fugiram para a Coreia do Sul e quase todas relataram casos de tortura e brutalidade.

Entre as várias situações descritas, Jee disse ainda que havia tão pouco para comer que, para sobreviverem, comiam os sapos que por ali andavam.

Outra testemunha, Shin Dong-hyuk, afirmou que foi forçada a ver a execução da sua mãe e do seu irmão, que tentaram escapar.

Esta é a primeira vez que os direitos humanos na Coreia do Norte são avaliados por um painel de especialistas. A Coreia do Norte negou, entretanto, os abusos, recusando reconhecer a comissão de inquérito ou permitir o acesso dos investigadores.