O ativista exilado equato-guineense Tutu Alicante, diretor da organização EG Justice, defendeu esta sexta-feira que a CPLP devia enviar uma missão independente para investigar as condições dos direitos humanos na Guiné Equatorial antes de a admitir no seio da organização.

«Se a CPLP pretende mesmo admitir a Guiné Equatorial nas [suas] instituições deveria ter enviado uma comissão independente de inquérito ao país para investigar as condições dos direitos humanos», disse o ativista à agência Lusa, a propósito da aprovação por unanimidade da recomendação da adesão da Guiné Equatorial à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) pelos chefes da diplomacia da organização, na quinta-feira, em Maputo.

Já Elisabete Azevedo-Harman, analista política da Chatham House, diz que a adesão da Guiné Equatorial à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai forçar os Estados-membros a definir a identidade da organização, priorizando democracia ou promoção da língua.

Elisabete Azevedo-Harman defendeu, em declarações à agência Lusa, que o voto dos chefes da diplomacia dos países membros da CPLP de recomendação por unanimidade a adesão da Guiné Equatorial à CPLP, na quinta-feira, em Maputo, «levanta a questão da identidade».

«Os países da CPLP vão ter de pensar e esclarecer qual é a génese e a missão da CPLP, uma organização baseada num passado histórico comum que defende valores de democracia, governação e multipartidarismo, ou de promoção da língua, uma questão que até agora não se tinha colocado», argumentou.