França respondeu aos atentados de Paris com uma ofensiva diplomática para constituir uma coligação internacional alargada contra o grupo extremista Estado Islâmico, pedindo um apoio inédito aos parceiros europeus e aliando-se à Rússia nos bombardeamentos na Síria.

No dia seguinte aos ataques de 13 de novembro, que fizeram 129 mortos, o presidente francês, François Hollande, afirmou ao país que os atentados foram “um ato de guerra do Estado Islâmico contra a França” e que França responderia com “uma guerra sem tréguas”.

Só nesse dia, segundo a presidência francesa, Hollande falou com a chanceler alemã, Angela Merkel, com os primeiros-ministros belga, Charles Michel, espanhol, Mariano Rajoy, italiano, Matteo Renzi, e turco, Recep Tayyip Erdogan, com os presidentes egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, e tunisino, Béji Caid Essebsi, com os reis de Marrocos, Mohamed VI, e da Arábia Saudita, Salman, e com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.

Na terça-feira, numa iniciativa sem precedente, França invocou o quase desconhecido artigo 42-7 do Tratado de Lisboa da União Europeia (UE), pedindo “apoio e assistência” aos parceiros europeus para reagir à agressão de que foi alvo, recebendo “apoio unânime”.

Hollande envolveu também desde o primeiro momento os Estados Unidos e a Rússia, anunciando encontros com os presidentes Barack Obama e Vladimir Putin, a 24 e 26 de novembro, respetivamente, para “unir forças” na luta contra os ‘jihadistas’ na Síria.

Em causa estão a apresentação de um projeto de resolução no Conselho de Segurança da ONU contra o Estado Islâmico e a cooperação militar com as forças norte-americanas, que já existia antes dos ataques, e agora também com as russas, nos bombardeamentos que, dois dias depois dos ataques, a força aérea francesa iniciou na Síria.

Os seis atentados de sexta-feira à noite, afirmou Hollande ao discursar perante as duas câmaras legislativas francesas três dias depois dos atentados, foram “planeados na Síria e organizados na Bélgica” e perpetrados “com cumplicidades em França”.

“A Síria tornou-se a maior fábrica de terroristas do mundo e a comunidade internacional, como presenciei várias vezes, continua dividida e incoerente (…) Não se trata de conter, mas de destruir” o Estado Islâmico, disse.


No mesmo dia, o presidente francês anunciou o envio para o Médio Oriente do navio-almirante Charles de Gaulle, o maior porta-aviões da Europa ocidental.

Na UE, além de invocar o artigo de apoio solidário dos parceiros a um país alvo de agressão, França convocou para sexta-feira uma reunião extraordinária de ministros do Interior, na qual vai propor “controlos sistemáticos e coordenados” das fronteiras europeias e a criação até ao final do ano do sistema europeu de registo de dados de passageiros de avião, há muito pedido mas bloqueado pela falta de garantias de proteção da privacidade desses dados.