O ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva considerou "absurdo" o mandado de prisão de que é alvo, e acusou o juiz Sérgio Moro "de sonhar" com a sua detenção.

Lula da Silva acusou Sérgio Moro de estar a agir politicamente para impedir o seu “direito à defesa”, de acordo com declarações à estação de rádio CBN, as primeiras desde que o Supremo Tribunal Federal negou um recurso para ficar em liberdade até à decisão final do processo

O ex-presidente declarou ainda que vai aguardar orientações dos advogados, para decidir se vai entregar-se, ou não, às autoridades, tal como foi decretado.

Segundo o senador Lindbergh Farias, do Partido dos Trabalhadores (PT), o ex-presidente brasileiro ainda não decidiu se vai entregar-se ou não à Justiça.

"O Presidente [Lula da Silva] ainda não decidiu o que vai fazer, ainda não decidiu nada. Ele está aqui no Sindicato dos Metalúrgicos, que é a casa dele, onde tudo começou. Ele vai decidir o que fazer amanhã (sexta-feira)", declarou esta madrugada o senador a órgãos de Comunicação Social que apoiam partidos de esquerda, os únicos que tinham autorização para entrar no Sindicato dos Metalúrgicos.

O senador disse também que, em sua opinião, como a prisão de Lula da Silva é arbitrária ele não deveria ir voluntariamente até a sede da Polícia Federal em Curitiba, como foi decretado.

Por sua vez, a ex-presidente Dilma Rousseff afirmou que o mandado de prisão contra o antigo chefe de Estado é fruto de uma perseguição política e faz parte de um golpe.

"Lula [da Silva] é vítima de uma das mais graves ações contra uma pessoa, que é a perseguição política e a injustiça. [Sua prisão] é parte do golpe que começou quando me tiraram da Presidência e colocaram no [Palácio do] Planalto uma quadrilha", disse, perante centenas de pessoas.

Dilma Rousseff faz parte de um grupo de políticos e líderes de esquerda, que se encontram com Luiz Inácio Lula da Silva na sede do Partido dos Trabalhadores (PT), em São Bernardo do Campo, a cerca de 20 quilómetros de São Paulo, onde estão concentradas centenas de pessoas.

"O que assistimos hoje é a rapidez com que decidiram privar o maior Presidente desse país do direito que a Constituição brasileira reconhece para todos, que é a liberdade", acrescentou.

Lula da Silva lançou Dilma Rousseff como candidata à Presidência do Brasil, em 2009, quando ainda era uma desconhecida.

Dilma foi eleita duas vezes para a chefia do Estado, mas o último mandato foi interrompido por um processo de destituição, em 2016, que colocou Michel Temer no poder.

Na noite de quinta-feira, o juiz Sérgio Moro decretou a prisão de Lula da Silva, na sequência de uma autorização do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).

O juiz emitiu um mandado no qual determinou que Lula da Silva deve entregar-se voluntariamente na sede da Polícia Federal em Curitiba até às 17:00 (21:00 Lisboa) desta sexta-feira.

Menos de 24 horas antes, o Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil negou um recurso do ex-residente , condenado em duas instâncias judiciais, para ficar em liberdade até à decisão final do processo.

A prisão do ex-chefe de Estado está relacionada com um dos processos da Operação Lava Jato, o maior escândalo de corrupção do Brasil.

Lula da Silva foi condenado por ter recebido um apartamento de luxo como suborno da construtora OAS em troca de favorecer contratos com a petrolífera estatal Petrobras e sentenciado a 12 anos e um mês de prisão.