Um magistrado do Tribunal Superior Eleitoral do Brasil ordenou, esta terça-feira, ao Ministério Público que investigue uma empresa que recebeu fundos da campanha que conduziu à reeleição da Presidente Dilma Rousseff.

Gilmar Mendes ordenou ao Ministério Público de São Paulo que investigue indícios de irregularidades no pagamento de 1,6 milhões de reais (384 mil euros) a uma empresa criada apenas dois meses antes de ser contratada pela campanha eleitoral de Rousseff que não explicou na documentação os serviços prestados, indicaram os ‘media’ brasileiros.

Em comunicado, o coordenador jurídico da campanha presidencial de Dilma Rousseff, Flávio Caetano, citado pelo portal G1, indica que a produção de material da campanha por empresas contratadas, incluindo a citada (Angela Maria do Nascimento Sorocaba-ME) foi auditada e que o TSE aprovou as contas da campanha.

Gilmar Mendes já tinha solicitado, no passado fim de semana, uma investigação à campanha que levou à reeleição da chefe de Estado brasileira para esclarecer se foram cometidos atos ilícitos. Num documento enviado à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal, pediu que se esclareça se a campanha eleitoral de Dilma Rousseff, em 2014, recebeu dinheiro obtido na trama de corrupção que envolve a petrolífera estatal Petrobras.

O magistrado citou uma declaração do empresário Ricardo Pessoa, na qual este assegurava que doou à campanha de Rousseff 7,5 milhões de reais (1,8 milhões de euros) provenientes de corrupção na Petrobras.

Rousseff, cuja popularidade atinge mínimos históricos, enfrenta uma grave crise política, que se agravou com o gigantesco escândalo de corrupção na petrolífera estatal brasileira.

Cerca de meia centena de políticos brasileiros, a maioria aliados de Dilma Rousseff, estão a ser investigados por alegadamente terem beneficiado da rede na petrolífera estatal, da qual foram desviados cerca de 2.000 milhões de dólares (1.770 milhões de euros) na última década, segundo estimativas da própria empresa.

Um dos investigados é o presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha, acusado formalmente de corrupção na Petrobras.

Eduardo Cunha é suspeito de ter recebido suborno de contratos da Petrobras com uma empresa coreana, para o fornecimento de navios, e de branquear capitais.