A presidente brasileira Dilma Rousseff afirmou em conferéncia de imprensa que «deu o exemplo» e pagou a sua conta no restaurante de luxo Eleven, em Lisboa, no último sábado, respondendo a críticas da oposição.

«Eu posso escolher o restaurante que for, desde que pague a minha conta. E eu pago. Pode olhar em todos os restaurantes que eu estive, em alguns causando constrangimento. Porque fica esquisito uma presidente e uma porção de ministros fazendo aquela conta de quanto deu pra cada um», disse Rousseff na noite de terça-feira, citada pelo jornal «Globo».

Rousseff afirmou ainda que não usou o cartão corporativo (um cartão de crédito destinado a gastos extra de políticos brasileiros em serviço) por considerar que «é oportuno dar o exemplo» e diferenciar o que é consumo público de consumo privado.

A presidente brasileira está a ser criticada por partidos de oposição por ter feito escala em Lisboa no último sábado, devido ao seu alto custo. Só em hospedagem, os valores pagos aos hotéis Ritz e Tivoli chegaram a 21 mil euros, segundo a imprensa do país.

O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), de oposição a Rousseff, fez pedidos de investigação na Procuradoria-Geral da República e na Comissão de Ética Pública da Presidência, por alegado crime contra a administração pública.

O Legislativo do país deverá convocar o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Fiqueiredo, para prestar esclarecimentos. Em entrevista, o ministro já havia afirmado que a conta do restaurante Eleven foi paga pelas autoridades que estiveram no local, e não com dinheiro público.

O avião oficial de Rousseff fez uma escala em Portugal no trajeto entre Zurique, onde participou no Fórum Económico Mundial, e Havana, onde se realiza a cimeira da Comunidade dos Estados Caribenhos e Latino-Americanos.

Segundo uma nota divulgada pelo governo, a escala em Lisboa foi «obrigatória» porque o avião presidencial não teria autonomia de voo para fazer o trajeto entre Zurique e Havana diretamente.