Os 38 membros do VI governo constitucional de Timor-Leste tomaram posse esta segunda-feira com um juramento perante o Presidente da República, Taur Matan Ruak, numa cerimónia no palácio de Lahane, nos arredores de Díli.

O novo primeiro-ministro, Rui Araújo, e cada um dos seus colegas juraram em português antes de assinarem o termo de posse e serem saudados pelo chefe de Estado.

Os únicos momentos de aplausos ocorreram quando foi a vez do juramento do último ministro, Xana Gusmão, que ocupa agora a pasta do Planeamento e Investimento Estratégico, já no final da cerimónia.

Novo PM timorense promete «boa governação»

O novo primeiro-ministro timorense, Rui Maria Araújo, prometeu esta segunda-feira, em Díli, que o seu governo vai atuar com rigor e integridade, «fortalecendo a boa governação, a transparência e o combate à corrupção».

«A responsabilização, a prestação de serviços de qualidade e a disciplina não são opcionais, são condição sine qua non para servir o povo timorense. Esta transformação radical nas mentalidades dos nossos agentes públicos é fundamental», disse Rui Maria Araújo depois da cerimónia de tomada de posse dos 38 membros do seu executivo perante o chefe de Estado Taur Matan Ruak.

O chefe de governo disse que será prioridade do executivo «combater a cultura de burocratização na administração pública», considerando que nos últimos anos a estrutura administrativa «transformou-se num elefante com pés de barro».

«Agora, chegou hora de criar uma nova ordem burocrática, mais leve, profissional e técnica e menos politizada», disse Rui Araújo, declarando-se contra «o compadrio que resulta quase sempre em mediocridade».

Rui Araújo exigiu também empenho dos membros do governo, a quem promete uma responsabilização «política, administrativa e criminal sobre todos os atos e no âmbito das responsabilidades de cada um».

O novo primeiro-ministro referiu-se ainda à situação económica do país e à grande dependência dos recursos petrolíferos, aproveitando para insistir que Timor-Leste vai avançar para «a definição clara das fronteiras marítimas e terrestres perante a queda no preço do petróleo».

Rui Maria Araújo disse que é vital melhorar o equilíbrio fiscal do país e promover «uma política fiscal sustentável e uma despesa pública coerente para evitar o desperdício».

O desenvolvimento agrícola, o setor do turismo e o desenvolvimento do enclave de Oecusse são setores onde a economia timorense se pode diversificar no setor da justiça, de acordo com o novo primeiro-ministro.

Rui Araújo salientou que o governo quer levar a cabo um reforço das capacidade e competências, mas disse que esse esforço «exige uma avaliação profunda do setor da justiça e o estabelecimento de um novo quadro de cooperação adequado às necessidades do pais».

O primeiro-ministro deixou ainda uma mensagem à sociedade civil, comprometendo-se a estabelecer uma «auditoria social, permitindo que os indicadores de ação governativa sejam passados a pente fino com maior responsabilidade».