O jornalista e ativista Rafael Marques e os representantes dos generais angolanos chegaram esta quinta-feira a acordo e o processo de difamação sobre violação dos direitos humanos e exploração diamantífera em Angola não vai prosseguir em tribunal. 

O anúncio foi feito pelo próprio Rafael Marques, que acrescentou que o entendimento alcançado prevê a “não republicação” do livro “Diamantes de Sangue”, que esteve na génese deste processo. O jornalista angolano também assumiu, após acordo com os generais visados, a monitorização do cumprimento dos direitos humanos nas áreas de produção diamantífera.

Rafael Marques foi acusado por sete generais de "denúncia caluniosa", por ter exposto alegados abusos dos direitos humanos com a publicação, em Portugal, em setembro de 2011, do livro "Diamantes de Sangue: Tortura e Corrupção em Angola". 

A lista de queixosos era liderada pelo ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, o general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior "Kopelipa".

A secção portuguesa da Amnistia Internacional lançou uma petição onde apelou ao Governo português para interceder junto do executivo de Luanda para que fosse retirada a acusação contra o jornalista. A organização entregou ao Ministério dos Negócios Estrangeiros 10.935 petições assinadas em defesa do ativista.

O jornalista agradeceu a iniciativa, mas disse que não esperava qualquer ajuda do Governo português.

"É uma iniciativa da secção portuguesa da Amnistia Internacional que muito agradeço, mas todos sabemos qual é o papel do Governo português sobre Angola. É de total harmonia com os interesses corruptos e autoritários deste regime."


Rafael Marques já foi galardoado com vários prémios internacionais pelo seu trabalho jornalístico. Foi detido e preso várias vezes em Angola.