Existem centenas de milhares de pessoas desaparecidas em todo o mundo, consequência de conflitos armados, desastres naturais ou migração. A 30 de agosto, estes casos são lembrados, no Dia Internacional do Desaparecido, para que não caia em esquecimento a dor das famílias que vivem com a «constante incerteza».

O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) relata um número impressionante de pessoas desaparecidas em todo o mundo. «Na Colômbia, mais de 68 mil pessoas ainda estão desaparecidas e outras 90 mil estão em parte incerta. No Sri Lanka, o número de desaparecidos atinge 16 mil pessoas no país. No Peru, o número situa-se entre as 13 e 16 mil pessoas que estão em parte incerta e cujas famílias aguardam notícias. Ainda resultado dos conflitos nos Balcãs [no final da década de 1990], estimam-se 11 mil desaparecidos do total de 35 mil casos reportados», refere uma nota do CICV.

O Comité publicou um livro, disponibilizado na internet, para sensibilizar a sociedade para este problema. «Viver com ausência» fala sobre o problema das famílias que ficam, o trabalho que a Cruz Vermelha tem vindo a desenvolver no mundo e mostra formas para ajudar.

Para os que ficam, o desaparecimento de algum familiar é sinónimo de angústia, crises psicológicas, sociológicas e em algumas culturas serve de motivo para a descriminação social.

«Nas guerras, muitas pessoas desaparecem, causando angústia e incerteza às suas famílias e amigos», afirma Diana Araújo, responsável pelo restabelecimento de laços familiares da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) ao tvi24.pt. São famílias devastadas, partidas pela «dor da constante incerteza» e muitas vezes «não lhes é possível fazer o luto».

O desconhecimento total ou parcial do paradeiro dos entes queridos deixa as famílias de pessoas desaparecidas «frequentemente a braços com a incerteza». Nestes casos, não há oportunidade para cerimónias fúnebres. «A maioria das sociedades tem rituais religiosos ou culturais para lidar com a morte, mas há muito pouco para ajudar as famílias de pessoas desaparecidas».

Quem são os desaparecidos? De que precisam as famílias?



O serviço de Restabelecimento dos Laços Familiares da CVP está disponível para quem procura encontrar um membro da família desaparecido noutro país em conflitos, desastres naturais ou migração. Além deste, o serviço da CVP também recebe pedidos de outros países cujos familiares se julguem estar em Portugal.

«Muitas vezes há também enormes necessidades psicossociais», frisa a responsável, acrescentando que o aparecimento de «sentimentos de culpa, raiva, depressão ou trauma, e tensões entre os membros da família ou com membros das suas comunidades» é normal.

Em 2013, a CICV lançou o livro «Acompanhar as famílias de pessoas desaparecidas: guia prático» para ajudar aqueles que passam pelo sofrimento do desaparecimento de alguém. Diana Araújo afirma que as necessidades das famílias podem ser muitas, «por exemplo questões legais não resolvidas relacionadas com o estatuto da pessoa desaparecida». Estas têm normalmente a ver com herança, propriedade, estado civil e custódia de filhos.

A CVP faz parte da Rede de Laços Familiares que engloba o CICV e as Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho de 189 países. O CICV tem um mandato permanente para assistir e proteger as vítimas de conflitos armados e situações de violência.