A polícia do Quénia deteve, na terça-feira, um jornalista que acusou o Ministro do Interior, Joseph Nkaissery, de corrupção. A opinião pública acusa o Governo de querer destruir a liberdade de informação.

Tom Mshindi, diretor do “Daily Nation”, o jornal de maior tiragem no país, afirma que o repórter John Ngirachu foi preso por questionar os gastos do Ministério do Interior.

“Do nosso ponto de vista, isto é intimidação”, afirmou Mshindi à agência Reuters. “Não estávamos à espera que o Governo recorresse a este tipo de táticas para nos intimidar”, acrescentou.


Um membro do Ministério queniano do Interior confirmou a detenção do jornalista, sem acrescentar detalhes. A imprensa local informou entretanto que John Ngirachu foi libertado na terça-feira à noite.

John Ngirachu foi interrogado pela polícia a semana passada na sequência da publicação de um artigo controverso, publicado no “Daily Nation”, em que afirmava que o ministro do Interior gastou quase um milhão de euros num único dia.

Joseph Nkaissery qualificou a história de “inaceitável” e afirmou que causam “dano deliberado à nação” quando apelidam de corrupto. O governante defendeu que o que está em causa é uma campanha bem articulada para colocar as massas contra o Governo, lançando a suspeita de que a corrupção impera nas instituições do Estado.

“Isto está a tomar a forma de uma sabotagem económica”, afirmou o ministro.


Joseph Nkaissery acrescentou que quem difunda histórias falsas sobre corrupção deve “dar conta acerca das suas palavras”.

Os órgãos de comunicação do Quénia dizem-se preocupados com as declarações do ministro do Interior e com a detenção de John Ngirachu.

“Se estas advertências continuarem, a detenção do jornalista John Ngirachu é apenas o princípio de tempos mais difíceis para os meios de comunicação social e outras vozes independentes suficientemente corajosas para questionarem a crise de corrupção que assola o nosso país”, sublinhou o presidente da associação dos órgãos de comunicação social, Linus Kaikai.