Um tribunal militar de Israel ordenou, esta segunda-feira, a detenção administrativa por quatro meses de um jornalista palestiniano, sem julgamento ou acusação proferida, por suspeita de pertencer a uma “organização terrorista”, disse uma fonte militar israelita, citada pela AFP.

Omar Nazzal, quadro do sindicato de jornalistas da Palestina, foi detido a 23 de abril, na fronteira entre a Cisjordânia e a Jordânia, quando apanhava o avião para ir ao Congresso da Federação Europeia de Jornalistas, na Bósnia.

No domingo, um tribunal militar israelita realizou uma audiência e esta segunda-feira anunciou a decisão de colocar o jornalista em detenção administrativa por quatro meses, disse a agência oficial de notícias palestiniana Wafa.

Um porta-voz militar israelita confirmou que Omar Nazzal foi colocado em detenção administrativa até 22 de agosto "devido à participação numa organização terrorista".

"É importante salientar que a sua detenção foi baseada em informações relativas à sua participação numa organização terrorista e não nas suas ações enquanto jornalista", acrescentou.

O Shin Bet, serviço de segurança interna de Israel, indicou que o jornalista foi detido pela participação nas atividades do grupo terrorista Frente de Libertação do Povo da Palestina.

A detenção administrativa é um sistema extrajudicial herdado das leis de emergência do Mandato Britânico da Palestina (entre 1920-1948), que permite a Israel deter suspeitos por períodos renováveis indefinidamente e sem ter de notificar sobre qualquer acusação ou fornecer o processo ao seu advogado.

 

Hanan Ashrawi, membro da liderança palestiniana, apelou esta segunda-feira às organizações internacionais e federações e sindicatos de jornalistas para "intervirem imediatamente para Israel explicar o ataque que está a fazer contra a imprensa palestiniana".

De acordo com o Sindicato de Jornalistas palestiniano, além de Omar Nazzal, outros 19 jornalistas e estudantes de jornalismo estão detidos em Israel, um dos quais há mais de 20 anos.

Desde outubro, com o aumento da violência, as forças armadas israelitas encerraram várias estações de rádio e televisões locais.

Em março, a Federação Internacional de Jornalistas denunciou os ataques "contínuos" de Israel contra órgãos de comunicação social palestinianos.