Um menino de oito anos, que viajava sozinho, está retido no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, há mais de uma semana, por tentar entrar em França sem ter documentos de identificação.

Organizações para a defesa dos direitos das crianças apontam que é ilegal impedir uma criança de se juntar aos familiares, neste caso em França, e aconselham o país a reconsiderar a detenção.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, a criança veio das ilhas Comores, no Oceano Índico, e terá voado para França a mando da mãe, que queria que o filho tivesse uma vida melhor.

Chegado ao aeroporto Roissy-Charles de Gaulle no dia 21 de março, o rapaz, cuja identidade não é revelada, foi detido e levado para a área de espera para onde vão todos os suspeitos de entrarem ilegalmente no país. O jornal inglês refere que o menino tinha um passaporte francês no nome do primo.

A decisão de manter a criança na área de espera foi tomada pelo tribunal de recurso francês e a medida está a causar polémica.

Catherine Daoud, advogada de defesa de crianças, disse em entrevista a uma estação de rádio que “a prisão de crianças na área de espera, principalmente sendo a criança tão jovem, vai contra a convenção internacional da proteção infantil, assinada e ratificada pela França.”

“Infelizmente, este não é um caso único. É chocante ver uma criança tão pequena colocada no mesmo cesto que os adultos e com a polícia ... para a criança é uma prisão”, acrescentou.

“O que nos choca é que ele está encarcerado. Por que é que ele está encarcerado? Estamos a falar de um lugar com grades, não é lugar para uma criança”, rematou.

O ministro francês da Administração Interna, Bernard Cazeneuve, afirmou que a mãe do rapaz já pediu que ele voltasse para junto dela e que as autoridades iam designar alguém para acompanhar a criança. Mas o processo foi atrasado devido às férias da Páscoa, explicou ao The Guardian um porta-voz do Ministério.

O rapaz que, chegou ao aeroporto apenas com uma mochila do Homem Aranha, não é um caso único.

Catherine Daoud referiu que 259 menores não acompanhados ficaram retidos nos aeroportos franceses em 2014. A lei francesa prevê que a criança pode ficar 20 dias na área de espera do aeroporto até que se consiga chegar a uma decisão sobre se é admitida no país ou deportada.

Isabelle Thieuleux, da organização La Voix de L'Enfant (A Voz da Criança) esteve presente na audiência no tribunal de recurso.

"Fomos informados que a administração francesa precisava de tempo para organizar o regresso do menino às Comores", disse Thieuleux.

"Ele deixou a audiência acompanhado por dois polícias. A mochila era quase maior do que ele, ele era uma coisinha pequena”, acrescentou.

"Não há justificação para prender uma criança de oito anos que chegou ao país e, ainda por cima, para a própria proteção. Onde está a proteção de uma criança em tal lugar? ", questionou.