A Procuradoria-Geral do México vai assumir a investigação do desaparecimento forçado de 28 pessoas, supostamente cometido por membros da Marinha no nordeste do país, foi anunciado na sexta-feira.

Num comunicado, a procuradoria refere que, face aos “acontecimentos lamentáveis” nos últimos meses no estado Tamaulipas, assumiu a investigação de 20 dossiês relacionados com o possível desaparecimento de 28 pessoas.

Nestes documentos é denunciada “a participação de elementos da Secretaria da Marinha do México”, acrescenta.

Segundo o comunicado, foram já ordenadas “ações diligentes e concretas” por parte dos serviços especializados da procuradoria para esclarecer os factos e procurar com vida as vítimas.

Um plano de investigação já foi traçado e inclui uma análise do contexto que impera em Tamaulipas, tendo sido designada igualmente uma equipa de procuradores especialistas para acompanhar as investigações de forma articulada.

Em 31 de maio o governo do México antecipou a sua decisão de concentrar todos os processos de investigação sobre estes desaparecimentos na Procuradoria Especializada na Investigação dos Crimes de Desaparecimento Forçado.

Esta ação foi uma resposta à denúncia das Nações Unidas, um dia antes, sobre o facto de em Novo Laredo existirem pelo menos 23 pessoas desaparecidas entre fevereiro e maio.

O Alto-Comissário da ONU para os Direitos do Homem, Zeid al-Hussein, instou a 30 de maio o país a agir urgentemente em Novo Laredo, fronteira com o Estado norte-americano do Texas, onde pelo menos 23 pessoas desapareceram desde fevereiro.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos do Homem tem indicações fortes de que a força de segurança federal é responsável por estes desaparecimentos.

A ONU adiantou ter registado o desaparecimento de 21 homens e duas mulheres.

Uma organização não-governamental de defesa dos direitos humanos acredita que o número de desaparecidos é de pelo menos 40.