Concepción Barbeira Mariño é o último mistério que as autoridades asturianas têm em mãos. Esta mulher de “meia idade, 1,60 metros de altura e compleição magra” desapareceu no último dia 2 de março. Saiu de casa, em San Adriano, para ir trabalhar, mas nunca chegou a aparecer, naquela sexta-feira, no hospital San Agustín de Avilés. O carro dela foi encontrado horas depois do alerta para o seu desaparecimento. Tinha as portas abertas e carteira de Concepción estava lá dentro. A polícia debate-se com a falta de pistas sobre o caso. 

No dia anterior, dia 1 de março, à noite tinha desaparecido Lorena Torre, de 40 anos. De acordo com a Polícia Nacional, o carro em que seguia foi encontrado num estacionamento da praia de El Rinconín, em Gijón.

Os casos de Lorena e Concepción vêm somar-se ao de Paz Fernández Borrego, de 43 anos, que estava desaparecida desde 13 de fevereiro em Navia. O cadáver de Paz foi encontrado, esta terça-feira, parcialmente despido e com sinais de violência, numa barragem de Navia, região pela qual era apaixonada e onde se refugiava muitas vezes, quando queria descansar. Os golpes na cabeça e no pescoço que apresentava terão sido a causa da morte, de acordo com a autópsia.

A Guardia Civil deteve, esta sexta-feira, Javier L., o homem com quem tinha sido visto pela última vez, no hotel onde estava alojada. Javier vivia na mesma rua do hotel e terá passado com ela a tarde do dia em que desapareceu. Foi a última pessoa a vê-la com vida.

Até agora, a Guardia Civil e a Polícia Nacional não encontraram indícios que permitam relacionar os dois desaparecimentos e o homicídio de Paz. Os três casos aconteceram em localidades diferentes das Astúrias (Navia, Castrillón e Gijón) e não há indicação que as três mulheres se conhecessem. A única coincidência reside no facto de Lorena e Paz serem ambas de Gijón.

Ainda assim, de acordo com um comunicado da Delegação do Governo, as autoridades mantêm “em aberto qualquer hipótese” e prosseguem as investigações com “todos os recursos disponíveis.

As três ocorrências em tão curto espaço de tempo estão a assustar a região. Em Navia, por exemplo, muitas mulheres estão a organizar-se para não terem de circular sozinhas pelas ruas. Muitas mulheres que trabalham de madrugada ou de noite procuram não se deslocar sozinhas.

Não me sai da cabeça a ideia de um assassino poder andar por aqui”, diz uma mulher citada pelo El País.

A detenção do suspeito no caso de Paz pode amenizar os medos. Mas enquanto não se provar a sua ligação ao caso e enquanto não houver nenhuma pista sobre o paradeiro de Lorena e Concepción, as mulheres da região das Astúrias terão dificuldade e imprimir a habitual normalidade às suas vidas.