Raras vezes um chefe de governo terá sido confrontado publicamente com uma situação tão embaraçosa e dramática.

Na quarta-feira, Angela Merkel participou num encontro intitulado "Vida Boa na Alemanha", durante o qual respondeu a questões de alunos com idades entre os 14 e os 17 anos de uma escola de Rostock, no norte do país.

As perguntas de Reem, uma refugiada palestiniana que veio de um campo no Líbano há quatro anos, não podiam ser mais pertinentes e dramáticas: Porque é que ela e a família vão ser deportados da Alemanha em breve? Porque é que ela vai ter de abdicar do seu sonho de ir para a universidade? Porque é que não vai poder gozar a vida, como os seus colegas de escola?

Angela Merkel ficou aparentemente sensibilizada com a situação, mas explicou que "a política, às vezes, é dura", e que era impossível à Alemanha acolher as centenas de milhares de refugiados que querem entrar ou ficar no país. Só em 2015, o número de pedidos eleva-se já a 450 mil, mais do dobro daquele que foi registado em todo o ano de 2014.

As explicações da chanceler nada resolvem para Reem e, talvez por isso, a certa altura a jovem não conseguiu conter as lágrimas.

A Angela Merkel, restou tentar consolá-la.