A vice-primeira-ministra da Irlanda, Frances Fitzgerald, demitiu-se esta terça-feira, anunciou a televisão pública RTE, tentando evitar desta forma o aprofundamento de uma crise política naquele país que levaria à queda do governo e à convocação de novas eleições.

Frances Fitzgerald renunciou ao cargo antes de enfrentar uma moção de censura no parlamento apresentada pelo principal partido da oposição, o centrista Fianna Fail.

Em questão estava o envolvimento de Fitzgerald, que tinha assumido a pasta da Justiça e do Interior entre 2014 e 2016, num escândalo de corrupção na polícia.

A oposição acusou um governo anterior, em que Fitzgerald era ministra da Justiça, de não ter defendido e protegido o homem que denunciou dezenas de casos de corrupção na polícia.

Um porta-voz oficial confirmou, entretanto, que o primeiro-ministro irlandês, o democrata-cristão Leo Varadkar, já comunicou ao líder do Fianna Fail, Michael Martin, que tinha aceitado a saída da “número dois”.

Michael Martin tinha assegurado que o partido não avançaria com a moção de censura caso Fitzgerald confirmasse a sua demissão.

Esta moção de censura surgiu a três semanas de uma cimeira europeia decisiva sobre o estatuto da fronteira com a Irlanda do Norte após a saída britânica da União Europeia.

O primeiro-ministro, Leo Varadkar, e o seu partido, o conservador Fine Gael , assumiram a defesa de Frances Fitzgerald, mas o atual governo é minoritário no parlamento e depende do Fianna Fail para governar.

Perante o cenário de uma moção de censura, e de uma eventual aprovação, a Irlanda iria enfrentar uma possível queda do governo e a convocação de eleições gerais antecipadas já em dezembro.

Os líderes da União Europeia (UE) vão reunir-se em cimeira a 14 e 15 de dezembro para avaliar se houve progressos suficientes nas negociações para a saída do Reino Unido, que permitam passar à segunda fase, sobre a futura relação comercial e o período de transição.

A Irlanda ameaça bloquear a passagem à segunda fase se até lá o Reino Unido não der garantias de que a fronteira entre a Irlanda e a Irlanda Norte se mantém aberta, livre de alfândegas ou outras barreiras.

Após o Brexit, a fronteira de 500 quilómetros será a única fronteira terrestre do Reino Unido com outro país.