A demissão da número dois do Ministério das Finanças é a confirmação de algo que já era visível nas últimas horas: a grande divisão que existe no executivo de Atenas e o partido que o apoia, o Syriza, relativamente ao acordo que o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, foi forçado a aceitar na segunda-feira.

Na carta de demissão que enviou ao chefe do Governo, Nadia Valavani disse que o novo plano é "uma capitulação esmagadora"  e que não constitui uma "solução viável" para os problemas do país. Por isso, não lhe resta outra solução senão sair.

Quem parece estar também de acordo com esta visão é o secretário-geral do Ministério das Finanças, Manos Manousakis, que também se demitiu.

De dentro do Syriza, veio outro sinal importante de que Tsipras está a enfrentar uma revolta aberta. Cento e sete dos 201 membros do Comité Central do partido estão contra a aprovação das medidas exigidas pelos credores. Isto não significa que o primeiro-ministro tenha perdido o apoio de que necessita no Parlamento, porque só cerca de 15 desses membros são deputados, mas é indiscutível que a hipótese de o acordo ser chumbado não é meramente académica.

É certo que os principais partidos da oposição já anunciaram que votarão a favor das novas medidas, o que dá uma margem de conforto grande a Tsipras, mas se a revolta dentro das suas próprias fileiras for muito grande, o governo não sobreviverá.

Um analista político grego citado pelo jornal britânico "The Guardian" diz que Tsipras precisa que o número de dissidentes na hora do voto seja inferior a 40 dos 149 deputados de que dispõe, caso contrário a Grécia fica ingovernável.