Nigel Farage, um dos maiores defensores da saída do Reino Unido da União Europeia, anunciou, esta segunda-feira, a demissão da liderança do UKIP. 

“Já fiz a minha parte”, justificou o líder do partido pela independência do Reino Unido, depois do “sim” à saída dos britânicos do projeto europeu ter vencido com 51,9% no referendo realizado em 23 de junho.

“Nunca estive [na política por], nem nunca quis ter uma carreira política. O meu objetivo de estar na política era retirar a Grã-Bretanha da União Europeia”, disse Nigel Farage.

Por isso, acrescentou, “penso que o certo é sair da liderança do UKIP”, conforme cita a Reuters.

Embora afastando-se da política, Farage afirmou que continuará a apoiar o partido e os movimentos independentistas do Reino Unido.

Sem anunciar o apoio a nenhum dos candidatos à sucessão de David Cameron, Farage afirmou, no entanto, que o Reino Unido precisa de um "primeiro-ministro do Brexit".

Nigel Farage, que começou a noite do referendo a projetar a derrota na “batalha”, começou o dia 24 de junho a cantar vitória. “Este vai ser lembrado como o dia da independência”, disse, na sua reação aos resultados eleitorais que ditaram a derrota do “fica” e a vitória do Brexit.

Nigel Farage, de 52 anos, político e polémico. Dentro e fora do Reino Unido. Nomeadamente, no Parlamento Europeu, onde é eurodeputado e protagonizou um episódio de tensão política, no regresso a Bruxelas, após o escrutínio.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, não poupou críticas a Nigel Farage e chegou mesmo a dizer que não percebia o que o inglês estava ali a fazer. No final da sessão chegou até a despedir-se dele.

Em relação a alguns de vocês estou muito admirado por estarem aqui. Lutaram pela saída. O povo britânico votou pela saída. Porque estão a aqui?”, disse Juncker.

Em resposta e sem desarmar o sorriso, Farage disse que Bruxelas está em "negação", afirmando que o Reino Unido será o "melhor amigo" da União Europeia mediante a assinatura de um acordo de comércio livre. 

Por enquanto, e apesar do referendo já ter ocorrido há vários dias, o botão do Brexit ainda não foi acionado pelo Reino Unido. David Cameron recusou-se a fazê-lo. Assumindo a derrota no referendo, anunciou a demissão. 

Cabe ao seu sucessor fazê-lo, mas resta saber quem, já que são vários os candidatos conservadores ao lugar e do lado dos Trabalhistas também se afinam estratégias para retirar Corbyn da liderança.

Pelos pingos da chuva do poder político, chovem protestos contra o resultado do referendo. As gerações mais novas pedem uma segunda consulta, numa altura em que também há relatos de atitudes xenófobas e racistas para com os imigrantes.