Pelo menos dois jovens ocidentais parecem estar envolvidos na decapitação de 15 soldados sírios e do refém norte-americano Peter Kassig, cujo vídeo foi divulgado pelo Estado Islâmico este domingo.

No vídeo, de mais de 15 minutos, vê-se um grupo de 16 jihadistas, sendo que só um tem a cara tapada. À sua frente, os prisioneiros estão ajoelhados.

No meio dos jihadistas está «John», o homem que protagonizou as decapitações de dois norte-americanos e dois britânicos e o único que está encapuzado neste vídeo. É ele que, com o seu sotaque britânico, volta a ameaçar os Estados Unidos e o Reino Unido.

Ao seu lado, parece estar Nasser Muthana, um estudante de medicina britânico, de 20 anos. É o próprio pai que o identifica pelas imagens. «Não posso ter a certeza, mas parece o meu filho. Ele deve temer Alá para andar a matar pessoas. Como pode ele esperar enfrentar Alá se anda a matar seres humanos?», disse Ahmed Muthana, ao «Daily Mail».



Nasser Muthana deixou a família em Cardiff, no País de Gales, para se juntar ao Estado Islâmico, na Síria, e levou o irmão mais novo, Aseel, de apenas 17 anos.

Este estudante já tinha aparecido num vídeo de propaganda do Estado Islâmico, em junho. Nele, prometia realizar ataques também no Reino Unido.

Questionado sobre se perdoa o filho se este quiser regressar a Cardiff, o pai respondeu: «Não, ele deve ter uma doença mental. Ou isso, ou há outra coisa errada».

O Ministério dos Negócios Estrangeiros está a investigar se Nasser Muthana esteve mesmo envolvido na decapitação de pelo menos 15 homens alegadamente das forças do presidente sírio, Bashar al-Assad, e de Peter Kassig, o quinto refém ocidental morto pelo Estado Islâmico.

Também esta segunda-feira, o governo francês admitiu o envolvimento de um cidadão francês.

«A análise [dos serviços de inteligência franceses] sugere que há uma probabilidade muito forte de um cidadão francês ter participado diretamente nestes atos abjetos», afirmou o ministro do Interior francês.

Bernard Cazeneuve adiantou que este jovem tem 22 anos e foi para a Síria em agosto de 2013. Segundo a imprensa francesa, trata-se de Abou Abdallah Al-Faransi, cujo verdadeiro nome é Maxime.
 
Maxime converteu-se ao islão aos 17 anos, vivia na Normandia e não tinha antecedentes criminais em França. Em julho, deu uma entrevista à BFM TV a contar que tinha sido muito fácil chegar à Síria.