O chefe de governo britânico respondeu esta segunda-feira às críticas firmadas por Durão Barroso no fim de semana, chamando a atenção do português que «não manda» na Grã-Bretanha. O ainda presidente da Comissão Europeia, advertiu David Cameron que será um «erro histórico» as restrições que está a pensar colocar aos imigrantes.

« Seria um erro histórico se a Grã-Bretanha alienasse os seus aliados naturais no centro e no leste da Europa, quando foram um dos principais defensores da sua ascensão», afirmou Durão Barroso, em Londres, no domingo. Ou seja, o ainda homem forte de Bruxelas considera que o plano de David Cameron para impor restrições à imigração no país viola as leis da União Europeia.

A discussão vem a propósito da restrição que o governo britânico está a pensar fazer acerca da atribuição de número de segurança social - e consequente acesso aos cuidados de saúde e prestações sociais no Reino Unido – para os imigrantes menos qualificados. A hipótese está a ser colocada pelas autoridades britânicas a propósito do fluxo de imigração que acontece na época de Natal. Cameron explicou que nenhuma decisão foi tomada, mas, independentemente da decisão que for tomada pelo seu governo, uma coisa é certa: Bruxelas «não manda» no Reino Unido nem nele, David Cameron. Ele responde aos eleitores britânicos, como cita a BBC.

O assunto vai mais além. David Cameron é defensor de uma reestruturação das relações entre o Reino Unido e a União Europeia.

O reino mais unido do que nunca, após os escoceses terem negado a desanexação em referendo, sempre foi um reino mais distante da União Europeia. Apesar do seu peso e influência na Europa dos 28, nunca quiseram fazer parte do Euro e continuam fiéis à sua libra.

A crítica às palavras de Durão Barroso gerou consenso entre governo e oposição no país de Isabel II.

Esta não é a primeira vez que um português fala sobre a emigração no Reino Unido e não é a primeira vez que um português é fortemente atacado por se meter nesse assunto. António Guterres, Alto Comissário da ONU para os Refugiados, pôs o dedo na ferida há uns tempos e houve logo quem se queixasse.