O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou esta quinta-feira que ficou “profundamente comovido” com a imagem da criança síria morta numa praia turca, divulgada esta quarta-feira.

“Qualquer pessoa que tenha visto aquelas imagens não pode deixar de ficar comovida e, como pai, fiquei profundamente comovido ao ver aquele rapazinho numa praia na Turquia.”


Mais, Cameron, que falou à imprensa durante uma visita a uma fábrica no nordeste de Inglaterra, prometeu que o Reino Unido vai assumir as suas “responsabilidades morais” na crise migratória.

“A Grã-Bretanha é uma nação de valores morais e vamos assumir as nossas responsabilidades morais."


O tom do líder britânico sobre a crise migratória que atravessa a Europa parece agora distanciar-se do que o que usou em julho para se referir ao tema, e que mereceu duras críticas da oposição. Numa entrevista à cadeia ITV no Vietname, Cameron classificou a onda de migração que tenta chegar ao Reino Unido como “uma praga de pessoas que atravessam o Mediterrâneo, em busca de uma vida melhor”. 

Depois de o primeiro-ministro ter sido duramente criticado, Downing Street emitiu um comunicado, fazendo saber que Cameron usou a palavra "praga" como uma escala, ou seja, referindo-se ao número de pessoas que tenta dar o salto para o Reino Unido, e que são aos milhares.

A imagem que mereceu a comoção do líder britânico chocou o mundo esta quarta-feira e depressa se tornou num símbolo da tragédia que afeta os milhares de migrantes e refugiados que tentam chegar à Europa. Mostra um rapaz sírio já sem vida à beira-mar de uma praia na Turquia. 

A criança foi uma das vítimas do naufrágio que tirou a vida a pelo menos 12 refugiados que tentavam chegar à ilha grega de Kos. O acidente ocorreu depois de dois barcos com 23 pessoas a bordo terem partido de Akyarlar, na costa da Turquia. Segundo afirmaram as autoridades gregas, o rapaz fazia parte de mais um grupo de refugiados que partiu em fuga do Estado Islâmico.