O custo da viagem de David Cameron para estar presente no funeral do rei saudita está a levantar críticas entre os grupos de defesa dos Direitos Humanos e organizações ambientais.

O relatório oficial das viagens realizadas pelo chefe de governo britânico entre julho e 2014 e março de 2015, agora divulgado pelo próprio gabinete de Cameron, mostra que o executivo britânico gastou 101 mil libras (ou seja, cerca de 140 mil euros) do erário público para prestar as condolências pela morte do Rei Abdullah bin Abdulaziz, em janeiro de 2015.
 
Organizações como a Reprieve, que luta pela abolição da pena de morte, denuncia a violação dos Direitos Humanos naquele país e exige maior determinação do Reino Unido, usando da sua influência, para evitar a execução de dois jovens, Ali al-Nimr e Dawoud al-Marhoon.
 
Maya Foa, da Reprieve, em declarações ao jornal The Guardian, disse que “não é suficiente o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros vir dizer que é pouco provável que al-Nimr seja executado”. Maya Foa quer mais: “A Grã-Bretanha deve pressionar no sentido da libertação de Ali al-Nimr, Dawoud al-Marhoon e de outros jovens e condenar as razões que levaram, desde logo à sua detenção”, disse.

   

Ali al-Nimr foi detido em 2012, quando tinha apenas 17 anos. Alegadamente, o seu único crime foi ter participado numa manifestação contra o governo, no decurso da primavera árabe que despoletou em vários países muçulmanos. A iminência da morte de Ali al-Nimr já mereceu a atenção do líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, que instigou o executivo britânico a agir rapidamente “de modo a prevenir uma grave injustiça”.
 
Há ainda o caso de um britânico, de 74 anos, condenado a 350 chicotadas por ter sido apanhado com álcool naquele país.
 
Razões suficientes para as palavras de David Cameron, por altura da morte do rei saudita, terem caído mal aos ativistas de Direitos Humanos. Cameron apresentou as condolências à “família real saudita e ao povo saudita naquele momento de dor”.
 
John Sauven, da organização ambiental Greenpeace, acusa o Reino Unido de se “prostrar perante os sauditas porque eles têm petróleo”, cita o The Guardian.
 
O jornal pediu uma reação de Downing Street ao valor elevado da viagem, mas o gabinete do primeiro-ministro refutou qualquer polémica com os valores da deslocação que integrou, para além do primeiro-ministro, uma comitiva. O gabinete de Cameron acrescentou que no funeral do Rei Abdullah estiveram presentes vários chefes de governo e de Estado mundiais.