O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse esta terça-feira que os países ocidentais correm o risco de perder a sua «autoridade moral» com o uso da tortura.

David Cameron fez o comentário a propósito da publicação de um relatório do Senado dos Estados Unidos sobre as técnicas de interrogatório utilizadas pela CIA aos detidos após os atentados de 11 de setembro de 2001.

«A tortura é um erro, é sempre um erro. Todos nós queremos ver um mundo mais seguro, queremos ver derrotado este extremismo, não triunfaremos se perdermos a nossa autoridade moral e aquilo que converte os nossos países num êxito», disse David Cameron, numa conferência de imprensa conjunta com o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, em Ancara.

Segundo o relatório da Comissão sobre Serviços de Informação do Senado dos Estados Unidos, divulgado esta terça-feira, as técnicas de interrogatório da CIA «foram ineficazes» e também «brutais e bem piores do que foi descrito pela CIA» aos membros do Congresso.

«Depois do 11 de Setembro, alguma das coisas que aconteceram foram um erro» e no Reino Unido tem havido investigações sobre a tortura e «tem-se feito frente numa perspetiva britânica», disse, sublinhando que «é preciso ficar claro que a tortura é um erro».

O primeiro-ministro britânico recordou que o seu país pretende reter os passaportes de quem planeia viajar para a Síria e lutar nas fileiras do grupo extremista Estado Islâmico (EI).

«O Reino Unido está prestes a aprovar uma legislação sobre combatentes estrangeiros. As pessoas que viajam para participar neste tipo de combates podem ver retido o passaporte», disse David Cameron, após uma reunião com o primeiro-ministro turco.

David Cameron adiantou que existe uma forte colaboração com Ancara na luta contra o autodenominado Estado Islâmico, pretendendo os dois países estreitá-la ainda mais, uma vez que a Turquia e o Reino Unido têm a «mesma visão da Síria e do Iraque».

Também o primeiro-ministro turco reiterou a disposição do seu Governo para combater o EI, mas criticou os meios de comunicação social que falam da Turquia como uma retaguarda para os jihadistas.

«Nenhum líder do EI vai passar através das nossas fronteiras», disse Ahmet Davutoglu, relembrando que a organização desenvolveu as suas estruturas no Iraque durante a ocupação norte-americana, não tendo, para tal, necessitado da Turquia.

Davutoglu reiterou ainda a necessidade de o Governo turco estabelecer uma «zona de segurança» na Síria para proteger os deslocados da guerra e para impedir que continuem a chegar à Turquia, que já recebeu 1,6 milhões de refugiados sírios.