David Bolam, o professor britânico que estava sequestrado na Líbia desde maio passado, foi libertado, revelou o gabinete de Negócios Estrangeiros, este domingo, em comunicado.

De acordo com o comunicado, o professor da Escola Internacional de Benghazi, de 53 anos, «está bem e a salvo» e reunido com a sua família.

David Bolam foi libertado, segundo a BBC, por fações políticas locais depois de ter sido pago um resgate, cujo valor não foi divulgado. Um porta-voz do gabinete revelou que, a pedido da família, não foram divulgados detalhes da libertação de Bolam. 

O professor britânico trabalhava na Líbia há sete anos e foi raptado, em maio, por homens armados num ponto de encontro em Benghazi. Bolam tinha decidido ficar na escola apesar da onda de ataques a estrangeiros, que matou, em dezembro passado, o professor de química, o americano Ronnie Smith. Antes de rumar à Líbia, Bolam dava aulas em Hartlebury, perto de Kidderminster, onde a mulher, Marion, era professora.

O seu desaparecimento, «sob circunstâncias misteriosas», foi anunciado pela escola no seu Facebook. A mensagem, em árabe, afirmava que a informação divulgada pelas autoridades era verdadeira e que o contacto com o professor Bolam tinha sido «interrompido».


A 28 de agosto, Bolam apareceu num vídeo publicado por um grupo chamado Exército Islâmico. No entanto, a empresa que monitoriza os grupos jihadistas na internet não conseguiu confirmar a identidade dos militantes. Sentado numa sala de cimento, com a barba grande e uma tshirt branca vestida, o refém pedia ao primeiro-ministro David Cameron que assegurasse a sua libertação, esclarecendo que estava bem de saúde. 

«Sou um professor britânico. De momento, a minha saúde está boa. Estou aqui há muito tempo. Peço ao governo britânico e ao primeiro-ministro David Cameron… por favor permitam que eu volte para a minha família. Peço à minha família e amigos, e a todos os que ouçam isso, que façam alguma coisa para que o governo perceba que preciso de ir para casa rapidamente. Por favor, por favor, façam alguma coisa para me ajudar», pode ouvir-se Bolam dizer.



Após a mensagem do professor, o governo britânico voltou a pedir um «blackout» aos órgãos de comunicação social e as autoridades libanesas afirmaram que o vídeo era um sinal de nervosismo dos raptores, ansiosos por chegar a um acordo sobre o dinheiro do resgate antes de uma ofensiva governamental a Benghazi. 

Apesar de tudo fazer temer o pior, Bolam conseguiu sair ileso fisicamente deste cativeiro. A sua sorte pode ter mudado como resultado aos acontecimentos no campo de batalha, uma vez que as forças governamentais cercaram Benghazi e atacaram as portas de Ansar al-Sharia. A libertação de Bolam aconteceu durante uma pausa nos combates da semana passada e, na quinta-feira, o professor já estava no Reino Unido com a família. No mesmo dia, Ansar al-Sharia efetuou o ataque mais pesado do verão, que resultou na morte de 41 soldados.

Ao contrário dos reféns do Estado Islâmico, na Síria, David Bolam viveu para ver o dia seguinte.