O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, rejeitou esta sexta-feira as «ingerências externas» sobre o Tibete e acusou o Dalai Lama de «falta de sinceridade», escreve a Lusa.

«O Tibete é uma parte inalienável da China, uma questão interna da China e que não admite ingerências externas. É uma questão de princípio», disse Wen Jiabao numa conferencia de imprensa transmitida em directo pela rádio e televisão.

«Situação no Tibete é pacífica e estável»

Questionado sobre as medidas de segurança adoptadas terça-feira, 50º aniversário da frustrada rebelião contra a administração chinesa que levou ao exílio do Dalai Lama, no dia 10 de Março de 1959, Wen Jiabao afirmou que «no conjunto, a situação no Tibete é pacífica e estável».

Governo ilegal

«O Dalai Lama não é uma simples figura religiosa. Ele é, de facto, uma figura política», afirmou o primeiro-ministro. O governo tibetano no exílio, sedeado em Dharamsala, norte da Índia, «é um governo teocrático, ilegal, sob a directa liderança do Dalai Lama», acrescentou.

O primeiro-ministro chinês reafirmou que «a porta para o diálogo continua aberta», mas insistiu que «o Dalai Lama tem de abandonar a sua postura separatista».

Situado na cordilheira dos Himalaias, o «Tecto do Mundo», o Tibete é um território cerca de 13 vezes maior que Portugal e menos de três milhões de habitantes.

Trata-se de uma Região Autónoma (como o Xinjiang ou Ningxia, ambas de maioria muçulmana), mas há comunidades tibetanas noutras províncias do país, nomeadamente Qinghai (onde nasceu o Dalai Lama), Gansu, Sichuan e Yunnan.