Há 13 anos Cyntoia Brown foi condenada a prisão perpétua por ter matado um homem que a comprou e usou para atos sexuais quando tinha apenas 16 anos. Mas só agora é que a sua história se tornou viral e várias celebridades, como Kim Kardashian ou Rihanna, saíram em sua defesa.

Filha de uma mãe alcoólica, Cyntoia Brown teve uma infância difícil, durante a qual passou várias temporadas ao cuidado dos serviços sociais. E na adolescência, as coisas não melhoraram para esta jovem de Nashville, no estado do Tennesse. O namorado, um toxicodependente conhecido como “Kutthroat" (palavra que significa "cortador de gargantas" em português) drogava-a, violava-a, obrigava-a a prostituir-se e ainda ficava com o dinheiro que ela ganhava.

A jovem tinha 16 anos quando Johnny Allen, um homem de 43, a encontrou nas ruas a prostituir-se e levou a rapariga para casa. Mas não sem antes lhe mostrar a sua coleção de armas e de lhe dizer que tinha sido atirador no Exército.

Já em casa do homem, Brown foi levada para o quarto dele.

Ele agarrou-me pelas pernas, agarrou-me com força”, disse a jovem em tribunal.

A um dado momento, estavam os dois na cama, quando o homem se virou para o lado contrário. Brown disse que entrou em pânico pois pensou que Allen ia buscar uma arma. Convencida de que o indivíduo a ia magoar, atingiu-o a tiro com uma arma que Kutthroat lhe tinha dado.

Apesar de, à altura dos factos, ter apenas 16 anos, Brown foi julgada como um adulto. Alegou legítima defesa, mas os procuradores acusaram-na de ter matado para roubar porque ela fugiu da casa com a carteira e as armas do homem.

O tribunal declarou-a culpada de homicídio premeditado em primeiro grau e de roubo agravado. Foi condenada a prisão perpétua, corria o ano de 2004.

Brown, que tem agora 29 anos e que, entretanto se formou em jornalismo na prisão, só pode pedir liberdade condicional quando tiver 69.

A história de Brown já tem alguns anos, mas só agora suscitou o interesse de celebridades como Rihanna, Kim Kardashian ou Cara Delevingne que saíram em sua defesa, partilhando um texto que tem circulado nas redes sociais.

Imagina que aos 16 anos és traficada para sexo por um ‘chulo’ chamado ‘cortador de gargantas’. Depois de teres sido drogada e violada por diferentes homens, durante vários dias, és comprada por um predador de crianças, de 43 anos, que te leva para casa dele para te usar para sexo. Por fim, ganhas coragem para lutar, dás-lhe um tiro e ele morre", lê-se no texto.

 

A razão pela qual a história voltou à discussão pública tem a ver com uma investigação recente da Fox17, que recorreu a imagens de um documentário sobre a jovem, que data de 2011.

O filme foi realizado por Dan Birman, um professor da Universidade do Sul da Califórnia que acompanhou o caso durante sete anos e que tem apelado à  libertação de Brown. 

Agora, um movimento que se tornou viral nas redes sociais exige a sua libertação, sob a hashtag "Free Cyntoia Brown" ("Libertem Cyntoia Brown").

Os ativistas esperam que, com o interesse mediático gerado, a situação de Brown possa ser analisada novamente. Já há até uma petição pública que pede um perdão presidencial para a jovem.