O livro «A Vida Secreta de Fidel», escrito pelo jornalista francês Axel Gyldén e por um antigo guarda-costas de Fidel Castro, Juan Reinaldo Sánchez, descreve a vida do antigo líder cubano como luxuosa e repleta de comodidades capitalistas, escreve a «BBC».

Juan Reinaldo Sánchez diz que, durante 17 anos, fez parte do círculo mais íntimo destinado a proteger Fidel. O facto de aparecer em várias fotografias e num vídeo gravado pela «BBC», em 1993, ao lado do antigo líder cubano reforçam a sua identidade.

«No livro, ofereço provas de que Fidel levava uma vida de luxos. Ao contrário do que dizem, Fidel nunca renunciou às comodidades capitalistas ou escolheu viver na austeridade», contou Sánchez à «BBC».

O antigo guarda-costas explicou que o comandante tinha mais de 20 residências que ele próprio conheceu e uma ilha privada ao sul da Baía dos Porcos onde havia um restaurante flutuante e um aquário de golfinhos. Além disso, o antigo líder tinha uma marina privada com quatro iates, um barco de pesca e mais de 100 homens que cuidavam de seus bens.

O património de Fidel Castro já tinha sido, de resto, alvo de polémica. A sua fortuna foi estimada em 647 milhões de euros, pela revista Forbes, em 2006 mas, apesar de a reportagem ter citado fontes próximas do comandante, na altura, tanto Fidel como o governo de Cuba desmentiram as informações.

O antigo guarda-costas também faz considerações sobre a personalidade do comandante e admite que Fidel tinha uma dupla personalidade.

«A sua imagem pública era a de uma pessoa sensível e modesta, até afável, mas no âmbito privado era muito diferente. Eu nunca o vi com uma expressão de carinho para a família», justifica, acrescentando que nunca viu o líder a ter um gesto de afeto com a mulher, nem sequer a dar um beijo aos filhos.

Para Sánchez, Fidel era um homem carismático e inteligente mas manipulador, egocêntrico e de sangue frio.

No livro, Fidel é ainda acusado de ter dado proteção a um conhecido traficante de drogas colombiano. Sánchez diz que foi a partir desse momento que decidiu abandonar aquele trabalho.

«Esse foi o momento em que Fidel deixou de ser o meu ídolo», refere. O antigo segurança afirma ainda que Fidel foi alvo de centenas de atentados mas considera exagerado os número apontado pelo governo cubano, cerca de 600. «Eu estimaria entre 100 e 200 tentativas reais de assassinar Fidel», admite.

Entre as tarefas que desempenhou para proteger Fidel, o antigo guarda-costas recorda uma viagem a Espanha em 1992, onde teve de provar todos os pratos e vinhos para assegurar de que não estavam envenenados.