O navio cruzeiro que tinha a bordo uma profissional de saúde do Texas em quarentena, por ter estado em contacto com uma vítima mortal do ébola, regressou aos Estados Unidos este domingo.

O «Carnival Magic» foi impedido de atracar no México e no Belize e acabou por mudar a rota do seu itinerário, tendo chegado a Galveston, no Texas, às 06:00 da manhã (hora local) deste domingo.

A profissional de saúde a bordo do cruzeiro tratou de Thomas Duncan, o liberiano que morreu nos EUA devido ao ébola. Foi colocada em quarentena no seu quarto, apesar de não apresentar sintomas da doença. O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças norte-americano considera que se trata de um caso «de baixo risco».

O navio saiu de Galveston, no Texas, a 12 de outubro e desde então, tentou atracar por duas vezes, sem sucesso. O objetivo era poder transportar a mulher de volta para os EUA para observação. 

Primeiro foi o Belize que negou o acesso, com o primeiro-ministro Dean Barrow a afirmar «que ainda há muitas questões por responder quanto à forma como o vírus se transmite». Depois, foi a vez do México recusar.

A notícia de que um possível caso de ébola se encontrava a bordo do navio e as negas do México e do Belize acabaram por suscitar o pânico entre os passageiros da embarcação.

«As pessoas estão assustadas. Vi pessoas a chorar. É muito difícil controlar qualquer tipo de vírus que esteja num navio de cruzeiro. Usa-se a mesma linha de buffet, os empregados são os mesmos…», afirmou John Malone, um dos passageiros, ao «Telegraph».

Eric Lupher, um jornalista do ABC7 em Denver, no Colorado, encontrava-se a bordo do navio e foi publicando os desenvolvimentos do caso, no Twitter. 

Este sábado, Lupher partilhou o momento em que um helicóptero foi recolher uma amostra de sangue da mulher em quarentena. Na legenda, o jornalista escreveu que a informação, na altura, era de que a passageira estava «completamente saudável».


Lupher também divulgou o comunicado do capitão do navio.

«Não estávamos a par desta situação quando desembarcámos e o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) afirmou que o indivíduo é um caso de baixo risco. Estamos em estreito contato com o CDC e a nossa equipa médica continua a monitorizar a passageira que continua sem sintomas. O CDC disse que nem passageiros nem tripulação estão em risco», lê-se no documento.



Segundo as autoridades norte-americanas, a profissional de saúde pôs-se em quarentena, por iniciativa própria, depois de ter tido conhecimento que duas enfermeiras de Dallas, que estiveram em contacto com Thomas Duncan, contraíram a doença. 

Amber Vinson e Nina Pham são as enfermeiras infetadas com o vírus e constituem os primeiros casos de contágio da doença nos EUA.


Em comunicado ao país, o Presidente Barack Obama afirmou que os norte-americanos não podem viver «em medo ou histeria».

«Estamos a enfrentar o surto de ébola na América. É uma doença séria, mas não podemos viver em medo e histeria», afirmou.

O Ébola já matou cerca de 4500 pessoas, sobretudo na Libéria, Serra Leoa e Guiné-Conacri.