O Comité internacional da Cruz Vermelha (CICV) anunciou, nesta quinta-feira, que retirou do Iémen, por motivos de segurança, 71 dos seus colaboradores internacionais, que representam mais de metade do seu pessoal naquele país.

Nas últimas semanas, as nossas atividades foram bloqueadas e o nosso pessoal recebeu ameaças e foi diretamente tomado por um alvo. Existe claramente um desejo de instrumentalizar a nossa organização no cenário do conflito. No passado, a nossa delegação no Iémen foi ameaçada por diversas ocasiões e não podemos aceitar que se exponha a riscos suplementares nas atuais circunstâncias, menos de dois meses após o assassinato de um dos seus colaboradores”, declarou em comunicado Dominik Stillhart, diretor das operações do CICV.

Após uma “série de incidentes e ameaças”, o CIC transferiu para o exterior do Iémen 71 dos seus colaboradores.

Em consequência, a organização com sede em Genebra indicou que deverá reduzir as suas atividades humanitárias, designadamente no domínio das cirurgias, visitas aos detidos, fornecimento de água potável e assistência alimentar.

O CICV, presente no Iémen desde 1962, considera que “todas as partes [no conflito] são responsáveis pela segurança do seu pessoal", e apelou a “garantias concretas e reais para que possa prosseguir a sua ação” no país do Médio Oriente.

Em março de 2015 a Arábia Saudita assumiu a liderança de uma coligação militar para auxiliar o governo internacionalmente reconhecido e que se refugiou no sul do país, enquanto o seu presidente se instalava em Riade, a capital saudita.

O balanço do conflito armado no Iémen cifra-se segundo a ONU em cerca de 10.000 mortos, 55.000 feridos e originou “a pior crise humanitária do mundo”. Mais de 2.200 pessoas morreram de cólera, enquanto diversas regiões do país estão no limiar da fome generalizada.