O Jornal de Angola critica, em editorial, os "amigos da desgraça" e a "imprensa do Rossio", referindo-se diretamente ao tratamento jornalístico em Portugal do anunciado pedido de apoio do Governo angolano ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

Foi notória a forma ligeira e pretensiosa como alguma imprensa à margem do Tejo, useira e vezeira em desejar desgraça em casa alheia, saiu à rua para lançar diatribes à volta de um suposto programa de resgate económico monitorado pelo FMI, organização de que Angola é membro de pleno direito", escreve o jornal, no editorial que tem como título "Os amigos da desgraça". 

O FMI anunciou na quarta-feira que Angola solicitou um programa de assistência para os próximos três anos, cujos termos serão debatidos nas reuniões de primavera, em Washington, e numa visita ao país.

O ministro das Finanças de Angola, Armando Manuel, esclareceu, entretanto, que este pedido será para um Programa de Financiamento Ampliado para apoiar a diversificação económica a médio prazo, negando que se trate de um resgate económico, segundo a Lusa.

"Cá dentro, a imprensa do Rossio foi secundada com o anúncio apocalíptico de bancarrota. As finanças públicas não existem mais, segundo o porta-voz da UNITA [Alcides Sakala], que é, para nossa desgraça coletiva, membro da Assembleia Nacional, um órgão de soberania que merece todo o nosso respeito", pode ler-se no jornal. 

Pela voz do deputado Alcides Sakala, em declarações à Lusa, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), maior partido da oposição angolana, disse na quarta-feira que o pedido ao Fundo Monetário Internacional (FMI) "reflete desespero" do Governo.

"Entendemos que há de facto desespero da parte do executivo angolano, que é penalizado pela falta de transparência e pela forma danosa como geriram os dinheiros que pertence a todos nós", disse Alcides Sakala.

"A canção do resgate e da austeridade com amigos do Rossio"

Não fosse a UNITA useira e vezeira em discursos inócuos e sem qualquer sustentação técnica, dir-se-ia que o homem perdeu completamente o Norte e agora confunde Angola com Portugal e o rio Kwanza com o Tejo, tal a sintonia com que o homem orquestra a canção do resgate e da austeridade com os amigos do Rossio", argumenta o jornal. 

E acrescenta: "Não se trata, definitivamente, de nenhum programa de resgate, como o que se aplicou a Portugal, Grécia e Irlanda, tratando-se apenas de um Programa de Financiamento Ampliado para apoiar a diversificação económica a médio prazo. As informações segundo as quais Angola se abeirava ao resgate do FMI resultam de uma interpretação errada e do desconhecimento do estado de desenvolvimento da economia nacional, que a UNITA, enquanto principal partido da oposição, tinha a obrigação de conhecer".