A Presidente da Argentina, Cristina Kirchner, foi esta sexta-feira formalmente acusada de dar cobertura a responsáveis iranianos envolvidos no ataque de 1994 contra um centro judaico em Buenos Aires, capital do país sul-americano.

Em comunicado, o procurador do caso, Gerardo Pollicita, anuncia ter confirmado as conclusões do seu antecessor, Alberto Nisman, encontrado morto, com um tiro na cabeça, a 18 de janeiro, um incidente inicialmente descrito como suicídio, mas está sob investigação.

O procurador Alberto Nisman tinha acusado a Presidente Kirchner, o chefe da diplomacia, Hector Timerman, e outros governantes argentinos de darem cobertura aos altos responsáveis iranianos envolvidos no ataque de 1994, em troca de petróleo.

O ataque à bomba contra a Associação Mútua Judaica Argentina matou 85 pessoas e feriu 300.

Depois de uma investigação inicial ter terminado sem condenações, Nisman foi indicado em 2006 para reabrir o caso, tendo acusado o Irão de ter ordenado o ataque, através do grupo xiita libanês Hezbollah, e solicitado a detenção de cinco dirigentes iranianos, incluindo o antigo Presidente Akbar Hashemi Rafsanjani.

Posteriormente à morte de Alberto Nisman, na véspera de uma audição sobre o caso no Congresso, soube-se que o procurador tinha redigido o rascunho de um mandado de detenção contra a Presidente argentina.

Três juízes já pediram escusa do caso, mas a autoridade federal judicial para os tribunais criminais acabou com o impasse entregando-o definitivamente a um deles, Daniel Rafecas, que decidirá agora se convoca Kirchner para prestar declarações.

Perito em direitos humanos, o juiz Rafecas tem produzido estudos sobre o Holocausto que mereceram prémios de três grupos judaicos argentinos.

É também conhecido por julgar responsáveis militares por abusos cometidos durante a ditadura argentina, entre 1976 e 1983.