Jyrki Katainen, vice-presidente Comissão Europeia (CE), falou em exclusivo com a TVI, disse que o caso Espírito Santo «nunca devia ter acontecido» e alerta que Portugal pode não ter muita margem de manobra para descer impostos.

Na entrevista à TVI Katainen disse ainda não haver certezas «se Portugal vai ou não cumprir a meta de 4% do défice para este ano» pelo que será preciso esperar até novembro, altura em sairão as novas previsões.

Questionado sobre a possibilidade avançada por alguns partidos e políticos sobre a diminuição da carga fiscal, o super-comissário alerta: «não há muita margem para um estímulo orçamental, descida de impostos ou um aumento de despesas».

Em todo o caso, o responsável pela economia na CE acrescenta que «se o governo ou o próximo governo prometer reduzir as despesas noutro lado e depois descer os impostos para promover a procura e o consumo, talvez seja possível».

«É preciso ter muito cuidado porque a situação em Portugal ainda é muito frágil, apesar de muito de bom ter sido feito», sublinha.

Jyrki Katainen, político finlandês de 42 anos, é vice-presidente da Comissão Europeia e responsável pela economia, assuntos financeiros e o euro.

O caso do Espírito Santo «nunca devia ter acontecido»

Sobre o caso do Grupo Espírito Santo e do banco, Katainen garante que «a comissão não teve envolvida nos testes à banca é sobretudo responsabilidade do banco central (europeu), mas durante o programa de assistência financeira houve várias medidas que fortaleceram a supervisão bancaria»

Depois da queda da família Espírito Santo e da separação do banco em bom e mau, o super-comissário afirma estar «satisfeito» porque «a fatura final não será paga pelos contribuintes», uma medida conseguida pelo que diz pela Europa «durante a crise financeira».

Mas de quem foi a culpa deste desfecho? Katainen não se compromete. «Não quero atribuir culpas, quero concentrar-me em resolver os problemas», disse e ainda acrescentou «não conheço todos os pormenores como foram feitos os testes à banca, mas claro que nunca deveria ter acontecido».