A crise económica sem precedentes, com a qual a Venezuela se depara, afeta a maioria da população, que luta para conseguir os alimentos racionados. Às filas sem fim nos supermercados, à fome dos mais pobres e às manifestações de milhões contra o governo, juntam-se outros seres vivos que, apesar de não falarem, sentem e sofrem com o abandono forçado.  

Com a economia venezuelana em queda livre, a comida vai escasseando e a classe média convive de perto com a pobreza, que a obriga a fazer o que até há um ano era impensável: não alimentar os animais de estimação ou abandoná-los e virar-lhes as costas para não testemunhar o seu sofrimento.

O preço da comida para cães quase que triplicou em relação aos últimos meses. Agora, cada quilo custa cerca de quatro euros, mais do que a quantia diária disponível para quem ganha o salário mínimo

As associações ativistas pela defesa dos animais afirmam que o número de animais abandonados cresce de dia para dia. Há milhares de cães e gatos a vaguearem pelos parques, outros são entregues a instituições ou “esquecidos” pelos donos em clínicas veterinárias.  

Nas redes sociais, como o Facebook, cresce o número de publicações onde donos desolados procuram alguém que fique com o seu melhor amigo, na tentativa de o livrar da morte certa.

A fome também chega aos zoos

Os trabalhadores do zoo de Caracas, a capital do país, afirmam que não têm comida suficiente para alimentar grandes mamíferos, como tigres e leões.

Nesta primavera, 72 cavalos morreram desnutridos no Centro de Corridas de santa Rica, no oeste da cidade de Maracaibo, que fechou por problemas com grupos criminosos organizados.

Os representantes do Instituto Nacional de Hipódromos garantiram que estas dezenas de animais morreram porque os treinadores e donos não os alimentaram.

Várias associações ativistas internacionais já estão alertadas sobre este panoramana de sofrimento e estão a ser desenvolvidas campanhas para angariação de comida e adoção dos milhares de animais abandonados.