O presidente dos EUA, Barack Obama, criticou esta sexta-feira o aumento do número de tropas russas junto à fronteira com a Ucrânia, e diz que pode ser um sinal de planos futuros.

O aumento da tropas russas [junto à fronteira] pode ser um sinal de que eles «têm planos adicionais», disse Obama numa entrevista à «CBS News», segundo a Reuters.

Obama afirmou que aumentar o número de tropas não é «o que a Rússia devia estar a fazer», e pediu ao país que remova os militares para acalmar as tensões.



Por sua vez, o ministro da defesa russo, Sergei Shoigu, disse que todas as tropas ucranianas já abandonaram a Crimeia, e que todas as bases militares da península estão sobre controlo dos militares russos.

Segundo a Interfax, Sergei Shoigu afirmou, no entanto, que irá devolver ao governo de Kiev os barcos e aviões militares que ficaram na Crimeia.

O presidente russo, Vladimir Putin, saudou as Forças Armadas russas pela sua performance na Crimeia, e afirmou que os militares mostraram as novas capacidades do exército russo.

Como informou a Lusa, com esta declaração, Vladimir Putin confirma pela primeira vez o envolvimento direto do exército russo na tomada de controlo daquela península ucraniana, realizada por milhares de tropas bem armadas e equipadas envergando uniformes militares sem identificação.

«Os recentes acontecimentos na Crimeia foram um teste importante. Eles demonstraram as novas capacidades das nossas forças armadas em termos de qualidade e do elevado moral dos militares», disse Putin numa cerimónia militar transmitida pela televisão.

Rússia enfrenta ameaças crescentes dos EUA e seus aliados

O governo de Moscovo está a enfrentar ameaças crescentes por parte dos Estados Unidos e seus aliados, numa tentativa de enfraquecer a influência russa na Ucrânia.

Quem o afirma é Alexander Malevany, vice-chefe do Serviço de Segurança Federal, segundo a Interfax.

«Houve um aumento significativo nas ameaças externas ao Estado. O desejo legítimio dos cidadãos da Crimeia e das partes orientais da Ucrânia [para se juntarem à Rússia] estão a causar histeria nos EUA e seus aliados», disse Malevany.

Alexander disse que a Rússia está a tomar «medidas ofensivas de inteligência e contrainteligência» para fazer frente aos esforços ocidentais de «enfraquecer a influência russa na região, que é de vital importância (para Moscovo)», diz a Interfax.