O embaixador da Ucrânia em Lisboa disse esta segunda-feira que gostaria que o apoio de Portugal à integridade territorial daquele país fosse mais consistente e espera que Bruxelas anuncie uma renovação do tratado de associação.

Embora sublinhe que Portugal «já se solidarizou com a soberania e integridade territorial da Ucrânia», Oleksandr Nykonento admitiu, em declarações à Lusa, que gostaria «que essa voz de apoio fosse mais consistente e mais prática».

O embaixador quer ver alargada a toda a comunidade internacional a solidariedade, entre a qual destaca os países da União Europeia. «Estamos à espera que toda a comunidade internacional, inclusivamente os nossos parceiros europeus, se solidarize com a Ucrânia e que seja renovado o acordo de associação entre a Ucrânia e a União Europeia», afirmou o embaixador em declarações à agência Lusa.

«Esperamos que, pelo menos a parte política desse acordo, seja assinada nas próximas semanas», sublinhou, referindo que a Ucrânia está atenta à decisão da reunião do conselho de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, que se realiza em Bruxelas.

Para Oleksandr Nykonento, o referendo de domingo - que apresentou um esmagador «sim» à união da região da Crimeia à Rússia ¿ é ilegítimo, já que não representa «a vontade livre das pessoas que foram às urnas». O referendo realizou-se sob «uma presença militar estrangeira na Crimeia e isso foi uma pressão psicológica muito forte sobre os cidadãos ucranianos da Crimeia», defendeu.

«Por isso, a Ucrânia não reconhece os resultados desse referendo» e, embora não esteja interessada em criar um conflito militar com a Rússia, está preparada para outras situações, garantiu.

«A Ucrânia não tem nenhum interesse em provocar uma situação [que leve] a um conflito militar, mas posso informar que o parlamento ucraniano acabou de votar uma lei para mobilização parcial, [que visa] colocar o potencial militar da Ucrânia em prontidão», disse Oleksandr Nykonento.

A decisão do parlamento ucraniano foi aprovada com os votos de 275 dos 308 deputados que participaram na sessão e justificada pelo Presidente com a «continuação da agressão na República Autónoma da Crimeia, que a Rússia tenta dissimular com uma grande farsa chamada referendo, que nunca será reconhecido nem pela Ucrânia e nem pelo mundo civilizado».

Admitindo que o povo da Ucrânia é pacífico e quer «viver em paz com todos os vizinhos e com todos os países do mundo», o embaixador sublinhou que os responsáveis são «capazes de defender o país».

Além disso, acrescentou o embaixador, a Ucrânia vai pedir ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos «que monitorize a situação na Crimeia» e «a preservação dos direitos dos cidadãos ucranianos naquela região».