Carlos Cruz-Echevarria foi encontrado morto a 11 de novembro de 2017. Veterano de guerra, de 60 anos, morreu precisamente no Dia dos Veteranos. Foi encontrado de bruços, numa vala, com vários tiros na cabeça. Ao lado, estava um camião preso na lama.

O carro de Carlos foi encontrado mais tarde, a muitos quilómetros de distância. Logo de início, as autoridades encararam o crime como um roubo, seguido de homicídio. Mas, quase um ano depois, novas pistas vêm trazer luz sobre o crime, que foi tudo menos um homicídio aleatório.

Na semana passada, a polícia do condado de Volusia, no estado norte-americano da Florida, deteve dois homens e uma mulher pelo homicídio.

Suspeitos da morte de Carlos Cruz-Echevarria detidos na semana passada. (Reprodução Twitter Volusia County Sheriff’s Department)

Quase um ano depois, as autoridades concluíram que Carlos Cruz-Echevarria foi alvo de uma emboscada. O intuito era precisamente matá-lo, para impedir que testemunhasse num caso de uma disputa de trânsito.

De acordo com o jornal Washington Post, os três suspeitos estão agora acusados de homicídio qualificado e os promotores do Ministério Público ponderam mesmo pedir a pena de morte.

Este é um dos atos mais hediondos, desprezíveis e covardes que eu já testemunhei. Alguém vai pagar o preço final", disse Michael Chitwood, xerife do condado de Volusia.

 

Uma morte planeada durante seis meses

 

A polícia acha que o crime foi planeado durante mais de seis meses. Em maio de 2017, Carlos buzinou ao carro que estava parado à sua frente, num semáforo com o sinal verde. O condutor do carro em causa parou ao seu lado, num cruzamento mais à frente, e ameaçou-o com uma arma. Cruz-Echevarria conseguiu apontar a matrícula e apresentou queixa.

Kelsey McFoley, de 28 anos, era um velho conhecido da polícia, com um longo historial de crime. Depois do incidente que envolveu Carlos Cruz-Echevarria, McFoley foi acusado de agressão agravada e posse ilegal de arma. O julgamento estava marcado para dezembro de 2017. Para evitar ser preso, contratou um assassino profissional para matar Carlos, antes do julgamento começar.

Benjamin Bascom, de 24 anos, era um assassino reputado, com ligação a vários homicídios no condado de Orange, e “parceiro de crime” de McFoley, que o lhe ofereceu dinheiro para “apagar” Carlos.

O crime foi então planeado ao pormenor: Melissa Rios Roque, de 21 anos, namorada de Kelsey McFoley, tinha como missão seguir a vítima e ajudar Bascom a fugir depois do crime cometido. Kelsey McFoley retirou a morada do homem dos documentos do tribunal. Roubaram um carro e começaram a seguir Carlos e a estudar-lhe os hábitos.

Na noite do homicídio, Benjamin Bascom foi a casa de Carlos Cruz-Echevarria numa camioneta roubada. Não o encontrou em casa e quando tentou dar a volta na rua, ficou preso na lama. Por um golpe do destino, um condutor parou para o ajudar. Nada mais, nada menos que a vítima, que ele matou a sangue frio, pelas costas, quando Carlos se baixou para inspecionar a roda da carrinha.

As amostras de ADN na carrinha roubada e nas roupas de Carlos conduziram as autoridades a Benjamin Bascom. O rastreio de telemóveis fez o resto e levou à detenção dos três suspeitos, quase um ano depois do crime. Quando foi preso, o alegado autor material do crime preparava-se para fugir. Foi apanhado quando tentava embarcar para o Texas, no Aeroporto Internacional de Orlando.