O recente afluxo de crianças chegadas ilegalmente aos EUA, provenientes da América Central, está a provocar uma importante crise e a assumir contornos políticos.

As crianças estarão «em condições terríveis, sem cama e a dormir no chão», disse à AFP Domingo Gonzalo, membro da associação Campanha Fronteiriça, que opera a partir de Brownsville, no sul do Estado do Texas, onde está um centro de detenção.

Mais de 52 mil menores, dos quais os mais novos têm três anos, foram detidos desde outubro por terem atravessado a fronteira de forma ilegal, com a esperança de conseguirem uma autorização de residência, uma vez entrados no país.

As estimativas apontam para a chegada de mais 60 a 80 mil crianças até ao final do ano.

A Casa Branca já classificou esta como uma crise humanitária, e acusa redes de tráfico humano de uma campanha de desinformação, para fazer crer que os menores que entrem nos Estados Unidos serão automaticamente acolhidos.

A realidade é muito diferente. E a solução divide os políticos norte-americanos.

Barack Obama já pediu o desbloqueio de verbas para fazer frente ao problema desde os países de origem.

Mas os republicanos defendem mão dura e criticam as políticas permissivas de imigração.

Enquanto os políticos se dividem, do outro lado da fronteira, milhares de crianças continuam à espera de uma oportunidade para cruzá-la. Mesmo que do outro lado, o sonho americano termine quase sempre com um duro despertar.