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Ouça o telefonema polémico do comandante do Costa Concordia

Francesco Schettino foi esta manhã a tribunal e arrisca pena até 15 anos de prisão

Por: Redacção / PO  |  17- 1- 2012  15: 21

O comandante do navio Costa Concordia vai continuar em prisão preventiva, determinou esta tarde o juiz italiano ao qual Francesco Schettino foi presente.

Em declarações em tribunal, Francesco Schettino assume que era ele quem estava ao comando do navio quando tudo aconteceu: «Era eu que estava a comandar o navio» no momento do impacto.

O advogado do comandante, citado pelo jornal «La Stampa», viu-o «profundamente perturbado, desanimado, entristecido», tendo também referido aos jornalistas que este ainda não contactou nenhum familiar.

O comandante incorre numa pena até 15 anos de prisão.

Ao início desta tarde foi confirmada pouco tempo de depois de terem sido recuperados mais cinco corpos do navio. Sobe assim para onze o número de vítimas mortais confirmadas e continuam ainda desaparecidas 24 pessoas.

Esta terça-feira foi divulgado o áudio de uma conversa telefónica entre o comandante do Costa Concordia e a Guarda Costeira italiana. Este telefonema vem revelar que o comandante abandonou o navio cedo demais e que se recusou a subir ao barco para terminar as operações de resgate.

Na gravação revelada pela agência ANSA, o primeiro contacto surge às 21h54 locais (menos uma em Lisboa), quando o cruzeiro já tinha encalhado. No entanto, Francesco Schettino diz que está tudo bem e que só há um «problema técnico».

Já às 00h32, quando algumas testemunhas garantem que o comandante já tinha abandonado o navio, ouve-se um oficial do porto a exigir ao capitão Francesco Schettino que dirigisse as operações. Pedia que lhe dissesse o número exacto de passageiros. O comandante responde «200 ou 300», mas a verdade é que o cruzeiro ainda estava cheio.

Primeiro, o comandante revelou estar na proa, mas passado pouco tempo as respostas começaram a ser suspeitas. Às 00h42, perguntam-lhe «quantas pessoas faltam evacuar». «Liguei para a empresa e dizem-me que há cem pessoas». As respostas têm pouco sentido. Perguntam-lhe: «Comandante, abandonou o navio?» Ele nega.

É nesta altura que surgem os desabafos mais comprometedores: Francesco Schettino diz que já não consegue subir para o barco e ouve-se um «abandonámos o navio».

A Guarda Costeira começa a irritar-se e a dar-lhe ordens para contar exactamente os passageiros que falta retirar. O comandante dá respostas pouco esclarecedoras, até que lhe dizem que já há cadáveres. Pergunta «quantos» e ouve como resposta: «Você é que tem de dizer-me quantos são. O que está a fazer, quer ir para casa?»

Ordenam-lhe que regresse ao navio, ele diz que sim, mas ninguém o viu a voltar. «Tem de regressar imediatamente a bordo, suba pelas escadas de segurança e coordene a evacuação» são as últimas ordens.

Várias testemunhas garantem que o viram a apanhar um táxi para o hotel. Francesco Schettino está em prisão preventiva e pode ser acusado de homicídio por negligência.

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